31/03/2022 às 15h20min - Atualizada em 31/03/2022 às 15h20min

São João del-Rey

Setembro 2015

Ralf Matavelli - Arquiteto e Urbanista
ralfmatavelli@hotmail.com
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O Ouro Preto, que dá nome atual à cidade, descoberto no séc. XVII pelos bandeirantes paulistas, foi fator determinante para o desenvolvimento da antiga Vila Rica, que ao longo do tempo ficou mundialmente conhecida pela abundância deste precioso minério e por sua não menos rica arquitetura colonial.
Neste cenário, o barroco mineiro atinge seu ápice como arquitetura no séc. XVIII, com as igrejas construídas no topo dos morros, parecendo flutuar sobre a cidade, com seus interiores e altares repletos de ouro e obras de arte produzidos em nome da fé e destinados à comoção e doutrinação dos fiéis.
A presença dominante da igreja no cotidiano das pessoas e a abundância de recursos provenientes da exploração do ouro fez surgir obras sacras de beleza ímpar espalhadas pelas igrejas da cidade. O artista/escultor/ arquiteto que mais se destacou neste período foi Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que com seu estilo próprio e olhos no Barroco português, deixou seu trabalho para a posterioridade em várias igrejas de Ouro Preto e outras cidades de Minas, com destaque para o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo. Mas, sua obra-prima é considerada a Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde elaborou o projeto da fachada e da decoração em relevos, executando pessoalmente diversos de seus elementos. No teto dessa igreja se encontram também trabalhos do Mestre Ataíde, maior nome da pintura colonial brasileira.
 
Por seu conjunto, a histórica Ouro Preto foi o primeiro sítio brasileiro a ser considerado Patrimônio Mundial da Unesco, em 1980; antes disso, porém, já havia sido reconhecida como tal pelo Estado em 1933 e como Monumento Nacional em 1938.
Há diversos museus interessantes e educativos, com destaque para o Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas, o Museu da Inconfidência, a Casa dos Contos e o surpreendente Museu do Oratório.
 
Entre os bons hotéis, o polêmico Grande Hotel de Ouro Preto, de Oscar Niemeyer, que se destaca por sua arquitetura moderna, destoante do restante da cidade. É, por si só, uma experiência arquitetônica. A tradicional Pousada do Mondego, em estilo colonial, é conforto e elegância na medida certa, e o incrível retrofit do novíssimo Solar do Rosário, sofisticado e lúdico, com um dos melhores restaurantes da cidade, o Senhora do Rosário, representam os bons hotéis disponíveis.
 
A maioria dos restaurantes tem como especialidade a comida típica mineira, mas há vários que têm cozinha contemporânea e exploram o melhor do sabor dos temperos regionais. O Bené da Flauta e o Solar da Ópera são excelentes exemplos desta combinação e surpreendem pela mistura de beleza e sabor dos pratos. Também é possível comer bem e encontrar gente bonita no Passo Pizzajazz e no Escada Abaixo, onde a badalação segue noite adentro.
 
Ouro Preto, apesar da aparente quietude, típica das cidades mineiras, é efervescente por receber turistas do mundo inteiro durante todo o ano e também pela grande quantidade de estudantes que vivem na cidade. Esta mistura entre jovens e visitantes mantém a economia e promove o alto astral da cidade. É certo, precisa de cuidados de infraestrutura como ou mais que qualquer outra cidade brasileira, mas é única no cenário nacional e continuará contando através do tempo, a rica história do passado do nosso país.

         
 


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