25/11/2021 às 16h00min - Atualizada em 25/11/2021 às 16h00min

O Deserto do Atacama

Abril 2019

Ralf Matavelli - Arquiteto e Urbanista
ralfmatavelli@hotmail.com
Foto na descida para San Pedro de Atacama. Ao fundo, o vulcão Lincancabur
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   O texto sobre essa viagem é uma continuação do texto do mês de março*, onde está descrito como chegar a Salta, no noroeste da Argentina, cidade comum para qualquer uma dessas viagens, tanto a do mês de março, quanto a que se segue.
   A partir de Salta, tomamos agora outro rumo, sentido norte, para a cidade de Purmamarca. Essa pequena cidade, por estar estrategicamente no início da subida para os Andes, no Paso de Jama, é muito conhecida e ponto de parada para quem vem de carro ou ônibus como opção de descanso para a longa e inesquecível jornada do dia seguinte rumo ao Atacama.
   Ficar hospedado no charmoso Hotel El Manantial del Silencio foi relaxante e deu fôlego para a segunda parte da viagem. Pumamarca é um dos centros de comércio do artesanato andino e a feira no centro histórico acontece quase todos os dias. Uma explosão de cores com o melhor dos artesãos de todas as partes dos Andes, Bolívia, Argentina, Peru e Equador.
   Antes de subir rumo aos Andes, passamos um dia ainda explorando a região e chegamos quase na fronteira com a Bolívia, passando por cidades como Tilcara e Humahuaca, que já se parecem mais com as cidades bolivianas do que argentinas.
   O Paso de Jama é a fronteira mais norte da Argentina com o Chile, e é uma passagem através dos Andes entre esses dois países com altitudes de chegam a mais de 4 mil metros. Com paisagens deslumbrantes de salares, lagos e montanhas com picos nevados, considero um dos lugares de paisagens mais bonitas que já conheci. Estar lá em cima, diante de tanta imensidão, beleza e silêncio, é como estar mais próximo do céu. Por isso prepare-se para um dia inteiro de travessia, as paradas para fotos serão muitas!
  
   A imigração para o Chile é mais complicada e burocrática que para a Argentina, e agora é feita ainda no altiplano, no Passo de Jama. Não leve nada perecível e nem itens em quantidade, certamente serão retidos. Ao passar pela fronteira, ainda se anda um bom tempo no altiplano, e quando a descida começa é possível ver toda extensão do vale onde está o Deserto do Atacama. Mas nenhuma paisagem se compara à vista dos Andes a partir de San Pedro de Atacama, onde vulcões e montanhas altíssimas se intercalam até a vista se perder, uma paisagem surreal.
 
  San Pedro foi originalmente uma parada para os colonizadores espanhóis, um verdadeiro oásis no meio de uma região inóspita, e continua ainda hoje como parada de muitos viajantes, agora vindos de todas as partes do mundo. É atualmente o grande centro turístico do Atacama e os hotéis são incríveis. Estão aqui alguns dos mais famosos do mundo, como o Explora e o Terra Atacama. Há muitas outras boas opções de hospedagem, mas o melhor do Atacama são os passeios fora da cidade, e se você não estiver de carro vai cair em um esquema bem turístico e chato. Mas esse não era nosso problema, e fomos conhecer os Gêiseres de Tatio, a cachoeira de águas quentes, as piscinas de águas salgadas e o Valle de la Luna em horários só nossos, vazios de gente, pleno de silêncio e sons.
  
   Deixamos o Atacama com o sentido de dever cumprido, afinal era nossa segunda visita, de carro, a esta incrível região do planeta, e uma terceira, nessa altura do campeonato, será quase impossível. O mundo é muito grande e existem ainda muitos lugares para serem descobertos, como o belíssimo caminho da volta que fizemos através do Paso de Sico, atravessando uma região dos Andes ainda pouco explorada.
   A volta foi longa, mas as lembranças desses saudosos quilômetros percorridos nesses dias de paisagens sublimes já haviam virado história e alimentado nossa alma. O tempo e a distância se dilatam nesses momentos de paz infinita. Estrada pela frente!
 
*Texto publicado na edição impressa do Jornal Brand-News




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