18/11/2021 às 13h54min - Atualizada em 18/11/2021 às 13h54min

Bodega Colomé, Argentina

Março 2019

Ralf Matavelli - Arquiteto e Urbanista
ralfmatavelli@hotmail.com
As cidades fantasmas, que parecem filmes de faroeste, do vale Cachaquie

   O motivo principal da viagem de fim de ano seria uma esperada visita à Bodega Colomé, no distrito de Salta, noroeste da Argentina. A intenção também era repetir, com certa calma, o belo caminho feito em 2006, quando fomos para o Atacama, de jipe. Para isso foram necessários quatro dias intensos de estrada, e quase 8 mil km rodados entre a ida e a volta, porém com paradas em lugares incríveis, que amenizavam a longa distância.
   Antes da viagem é necessário verificar os documentos exigidos para se entrar na Argentina de carro. No primeiro dia, a dica é chegar a Foz do Iguaçu ou o mais perto possível para que no segundo dia, logo de manhã, seja feita uma visita às Cataratas. Como da primeira vez tínhamos conhecido o lado brasileiro, resolvemos fazer a imigração logo cedo e conhecer as Cataratas do lado argentino, que é igualmente maravilhoso. Ah... antes de atravessar não esqueça de trocar reais por pesos, no Brasil o câmbio é melhor.
  
  Saia das Cataratas no meio da tarde e tente dormir em San Ignacio. Logo cedo (é mais vazio), uma visita às ruinas das Missiones, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984, é passeio emocionante e imperdível.  Almoce em San Ignacio e pegue a estrada para chegar a Corrientes. A cidade é bem bacana e daria até para ficar um dia a mais, mas não era nosso objetivo. Chegamos no fim da tarde e fizemos uma caminhada cultural pelo centro histórico da cidade. A dica para o quarto dia é sair o mais cedo possível, pois esse é o dia mais longo... da travessia dos Pampas e chegada em Salta, praticamente 12 horas de estrada, sendo nove horas das mesmas paisagens, retas longínquas que pareciam transformar a estrada em céu.
  
  Salta foi nosso porto seguro, onde decidimos passar o Réveillon e ficamos alguns dias hospedados no charmoso Solar de La Plaza Hotel. De Salta fizemos vários passeios subindo aos Andes, por diversos caminhos. Estradas sinuosas que cortam as montanhas passando por rios de degelo e paisagens sublimes até atingir alturas que chegam a mais de 4.000 m de altitude.
  
  De Salta fomos para Cafayate, região do vale Calchaquies, onde se produzem os melhores vinhos de altitude na Argentina, terra do Torrontés. Este circuito é um dos mais incríveis que fiz nas últimas viagens. São vilarejos que lembram os velhos filmes de faroeste, porém cheios de charme e histórias com opções de hospedagem excelentes. Em Cafayate a principal vinícola é a El Esteco, e a partir daí a estrada é de chão batido. Nessa estrada está também a famosa vinícola El Carmen. Escolhemos Molinos, onde ficamos hospedados no maravilhoso Hacienda de Molinos Hotel, para visitar a Colomé, nosso destino principal.
   A famosa Bodega Colomé, considerada a mais antiga da Argentina, fundada em 1831, conserva ainda três vinhedos dessa época. Ao longo de 170 anos foi propriedade das famílias Isasmendi-Dávalos, sendo adquirida pelo milionário e colecionador de arte americano Donald Hess, em 2001, que desde então transformou o lugar e a história da Colomé, sendo hoje considerada referência em vinhos de qualidade na Argentina. Tem produção média de 25 milhões de litros anuais e exporta seus vinhos para mais de 25 países em todo o mundo.
   Mas se vocês acham que nós andamos todos esses quilômetros somente para tomar vinhos? Na verdade, o proprietário da Colomé, como já dito antes, é um grande colecionador de artes e tem na Colomé um museu dedicado exclusivamente para obras do artista americano James Turrel, que trabalha com luz e espaço. Turrel dedica-se em particular às modalidades de percepção humana em ambientes controlados, ou em condições de alteração perceptual. A visita foi incrível, apesar de o guia ser mal informado sobre o artista.
   Da Colomé fomos para a pequena e encantadora cidade de Cachi, e de lá, pelos Andes, voltamos para Salta para a segunda parte da viagem - mas para não alongarmos muito o texto desse mês, a ida para o Deserto de Atacama e o retorno para o Brasil ficarão para o próximo texto.




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