05/11/2020 às 18h05min - Atualizada em 05/11/2020 às 18h05min

Poços de Caldas e seus desafios

Ralf Matavelli - Arquiteto e Urbanista
ralfmatavelli@hotmail.com
Rua Rio Grande do Sul vista da Serra de São Domingos (negativo das Thermas, início dos anos 30)
Acredito que o fim do jogo foi um grande banho de água fria para os poços-caldenses, que se viram sem uma de suas maiores fonte de renda. Aliado a isso, tem-se no mesmo ano de 1946 a inauguração do edifício Bauxita, com 13 andares, nosso primeiro “arranha-céu”. Coincidência ou não, a cidade, a partir daí, começa a se transformar em outra. Sem o jogo, mas ainda conhecida como grande estância hidromineral e de grande atrativo turístico, tem o centro, próximo às fontes termais, cada vez mais valorizado, e a consequência são mais e mais edifícios, como exemplo os edifícios Poços de Caldas e o Emisa, construídos nesse período. O centro deveria já há muito ser considerado histórico, e justamente por não ser foi-se permitido tudo durante quase cinco décadas, tendo o apogeu na desastrosa demolição do complexo do Politheama e Grande Hotel, nos anos 90. Perdas irreparáveis!
Fora do centro, a cidade planejada cresceu sem planejamento. A ocupação desordenada subiu os morros e os tampou com casas “palafitas”, rios de águas cristalinas canalizados, e as mudanças constantes das leis de uso e ocupação de solo durante todos esses anos permitiram situações inimagináveis e, pior, irreversíveis!
Hoje temos uma cidade com aproximadamente 160 mil habitantes e diversos problemas a serem resolvidos. Uma cidade que “vive” do turismo não pode ter seu patrimônio no estado lamentável em que se encontra. Veja a situação da Urca. Recebe o Festival Música das Montanhas em janeiro e o Flipoços em maio, eventos de alcance nacional e internacional - e durante uma apresentação, tirando os banheiros, as trincas, a pintura, pode chover lá dentro. É de morrer de vergonha! Isso sem falar na Estação Fepasa e o próprio prédio da Prefeitura. Citando ainda o abandonado Country Club. Porém, essa tarefa não cabe somente ao poder público, cabe também a cada empresário que destrói um patrimônio por não acreditar no seu potencial, ou os que “tapam” os espaços com porcelanatos, marquises ou letreiros, escondendo a bela arquitetura anterior, sempre melhor.
A Rua Assis está inundada de exemplos assim. Imagine a Rua Assis sem aquela poluição visual toda! Claro, temos bons exemplos também, mas para que o conjunto apareça é necessário o esforço de todos.
É preciso desesperadamente “salvar” o centro, fazendo essa faxina, tirando essas estruturas que escondem nosso patrimônio, e é imprescindível valorizar e requalificar as poucas áreas vazias que ainda existem, antes que se tornem impermeáveis.
Com relação à verticalização da cidade, ela já é um fato, mas que essa tendência não se transforme em mais um desastre. Há áreas que podem e devem ser verticalizadas, têm potencial, mais isso não cabe em hipótese alguma no centro e em nenhuma parte da zona norte da cidade.
Os desafios do futuro são muitos, e é preciso acreditar que é possível construir uma cidade melhor, onde áreas verdes comunguem com o progresso e águas e rios estejam limpos. A ambiência da cidade Termal, com suas ruas largas e praças arborizadas, que fascinou gerações, tem que continuar a encantar para continuar sendo admirada e exemplo de qualidade de vida.
Para o próximo prefeito, todos esses desafios!






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