Esperando o sol nascer

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Esperando o sol nascer
Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Atravessamos a fase mais introspectiva do ano. Os últimos dias do outono e o prenúncio do inverno. É quando as árvores perdem as folhas e a natureza desacelera. Época em que os corações começam a bater mais triste e devagarinho, mudando um pouco o nosso comportamento, diferente da época iluminada pelo astro Rei.

É quando - principalmente para nós, os velhinhos do banco da praça - chegamos mais tarde para nosso encontro diário, aquecidos pelas roupas até então guardadas nas gavetas e penduradas nos cabides, esperando pelo nosso reencontro.

E os dias vão passando, ainda mais devagar. Nossos sonhos vão se estreitando entre os nossos cérebros fatigados. E, mais frequentemente, as notícias de amigos e parentes vão chegando. Alguns, reclusos em suas casas, sob os cuidados familiares. Outros, já em fase pior, partilhando com outras pessoas, um período hospitalar.

Assim é a vida. É quando realmente começamos a lembrar de nossos atos praticados ao longo de nossa existência. A maior parte deles, honestos e amorosos. Alguns, muito poucos, ou quase nada, contrários a nossos deveres e obrigações.

Lamentamos não ter amado mais, ajudado mais, abraçado mais nossos semelhantes. E essa consciência, às vezes tardia, pesa sobre os ombros como a neblina fria das manhãs de inverno.

Por outro lado, quando vemos as primeiras flores desabrocharem a nosso lado, o tímido calor dos raios solares surgindo, revivemos, e esperamos uma nova fase de nossa vida, se ainda nos restar alguma... 

E como um idoso sonhador, vou continuar aguardando, mais uma vez, a volta do Sol nascer...

Tradução da crônica, em inglês “I´m waiting for the Sunrise”, de Odair Camillo - 2025

 

 

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