Será que carregamos uma imagem associada à corrupção?
Viajar sempre foi um sonho para milhões de pessoas. Conhecer novos lugares, culturas e paisagens faz parte dos desejos de quem dispõe de tempo e condições financeiras para isso. Não por acaso, o Turismo transformou-se em uma das principais atividades econômicas do mundo.
Tanto o Brasil, com suas incontáveis atrações ainda pouco exploradas, quanto inúmeros outros países, enxergaram no setor uma importante fonte de desenvolvimento e geração de riqueza.
Falando na época dois idiomas e contando com a credibilidade conquistada junto aos leitores do Jornal Brand-News, recebi convites para conhecer 58 países nos cinco continentes. O melhor de tudo é que essas viagens ocorreram sem custos, permitindo a produção de reportagens e material fotográfico capazes de competir com os veículos especializados de maior prestígio.
Hoje, confesso que já não me sinto disposto a enfrentar os controles de imigração existentes nos aeroportos internacionais. Tenho a impressão que os brasileiros são vistos com desconfiança em alguns países. Será que carregamos uma imagem associada à corrupção?
Lembro-me de uma entrada pelo aeroporto de Dallas. Viajava a serviço, e sozinho. O agente responsável pela imigração, comportou-se como um verdadeiro juiz inquisidor. Quis saber detalhes de minha vida pessoal e interesse nos motivos de minha visita. Tinha um pouco de razão: era a minha sexta entrada naquele ano nos EUA.
Sua atitude chamou minha atenção quando fez uma pequena anotação em um documento que deveria ser entregue na saída do aeroporto.
Fui encaminhado para uma inspeção adicional. Em um amplo salão, dois agentes abriram minha mala e retiraram todos os objetos que estavam em seu interior. Não satisfeitos, chegaram a rasgar o forro da mala para verificar se havia algo escondido. Nada encontraram. Ao final da revista, determinaram que eu mesmo refizesse a mala. Somente então fui liberado.
Aquele episódio me marcou profundamente. Com o passar dos anos, e com a passagem de minha Lurdinha, fui perdendo o entusiasmo pelas viagens internacionais. Meu passaporte e meu visto acabaram vencendo, e nunca mais tomei a iniciativa de renová-los. Já está junto aos outros sete que ainda guardo com saudade...
Espero que, no futuro, a imagem do Brasil e dos brasileiros seja mais respeitada no exterior, para que nenhum cidadão honesto tenha a sensação de ser tratado como suspeito simplesmente por sua nacionalidade. Realmente, temos que mudar urgentemente, aqueles que nos governam.
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