Ao reencontrar esta fotografia em meus arquivos, fui imediatamente transportado para um dos períodos mais marcantes da minha vida. Diante daqueles 40 menores - da mesma idade, perfilados com disciplina exemplar, uniformes impecáveis, cintos ajustados e sapatos cuidadosamente engraxados - revi não apenas seus rostos, mas também uma história de sonhos, lutas, vitórias e decepções.
Naquela imagem, mais do que um grupo de crianças, vi um projeto de vida. Um sonho que, embora não tenha sido plenamente realizado, deixou frutos dos quais jamais deixarei de me orgulhar.
Tudo começou na manhã de 1º de maio de 1978, durante uma solenidade realizada no Tiro de Guerra 147. Naquele dia, aqueles meninos passaram a compartilhar comigo um ideal: conquistar dignidade por meio do trabalho honesto, da disciplina e da cidadania.
Infelizmente, também passaram a conhecer, ainda muito cedo, o peso do descaso de algumas autoridades e a resistência daqueles que jamais compreenderam o verdadeiro alcance social daquele projeto.
Travamos uma batalha difícil contra duas entidades ligadas ao Comércio e ao Turismo. Seus dirigentes, homens influentes e economicamente poderosos, não aceitavam a presença daqueles menores que, com dedicação, colaboravam para organizar o trânsito e o estacionamento na região central da cidade por meio da implantação da Zona Azul.
O conflito extrapolou o campo administrativo e chegou ao Poder Judiciário. Por meio de um Mandado de Segurança, obtivemos uma importante vitória. Um magistrado reconheceu a legitimidade do trabalho desenvolvido pela entidade, garantindo sua continuidade.
Foi uma decisão que representou muito mais do que um êxito jurídico: significou a preservação de uma iniciativa que beneficiava dezenas de famílias.