Tenho a impressão de que muitos dos meus leitores perceberam uma mudança significativa na assinatura de minhas crônicas publicadas nas redes sociais. Na verdade, compreendi que faltava algo de enorme importância: o sobrenome de minha querida mãe, “Hurtado”, de origem espanhola.
Por que esse precioso sobrenome ficou ausente durante toda a minha vida? Teria sido uma falha do escrivão do cartório? Um esquecimento de meu pai? Pouco importa. Embora já esteja em idade avançada para corrigir oficialmente essa omissão, resolvi fazê-lo, ao menos em minhas crônicas, mesmo sabendo que essa decisão contraria os preceitos legais.
Basta de ser um filho que, sem perceber, ocultou um verdadeiro tesouro de família. O sobrenome Hurtado acrescenta ainda mais significado à minha identidade. Felizmente, despertei para isso a tempo. Talvez esse sentimento tenha nascido durante minha recente visita ao túmulo de minha mãe Lucinda, onde também repousa minha querida Lurdinha.
Naquela tarde, enquanto caminhava em direção a elas no campo santo, passei em frente ao túmulo de minha inesquecível professora particular, Miss Tamara Gagarin, com quem recebi muito mais do que ensinamentos de inglês e francês. Foi ela quem ajudou a moldar minha formação moral, cultural e humana. Entristeceu-me profundamente encontrar seu jazigo em estado de abandono.
Naquele instante, tomei uma decisão. Com a ajuda financeira de um amigo, providenciei a restauração de seu túmulo. Ela e sua fiel governanta merecem descansar em um lugar digno de uma Princesa russa fugitiva, Anastásia Fedorov, que escolhera Poços de Caldas para viver até o fim de seus dias. A obra de restauração já foi iniciada.
Hoje, cada vez que meus dedos percorrem o teclado do computador para escrever uma nova crônica, sinto um orgulho especial ao acrescentar Hurtado ao meu nome.
E, se não fosse demasiada pretensão, também acrescentaria Gagarin. Afinal, os sobrenomes dessas mulheres extraordinárias - duas mães que a vida me deu, cada uma à sua maneira - ajudaram decisivamente a formar a modesta personalidade que levo comigo.
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