A recente apresentação dos cantores Belo e Alcione no Estádio do Maracanã, durante a execução do Hino Nacional Brasileiro antes do amistoso entre Brasil e Panamá, reacendeu uma antiga discussão: quantos brasileiros conhecem realmente a letra e o significado do nosso principal símbolo cívico?
Segundo a organização do evento, falhas técnicas no retorno de áudio teriam provocado o desencontro entre os artistas. A explicação é aceitável, mas o episódio também revela uma dificuldade comum: muita gente não domina completamente a letra do Hino Nacional.
Escrito por Joaquim Osório Duque-Estrada em 1909 e oficializado em 1922, o hino apresenta um vocabulário rebuscado e expressões pouco utilizadas atualmente. Sua extensão e linguagem tornam a compreensão difícil para grande parte da população.
Há muitos anos venho comentando esse assunto. Sempre considerei que alguns versos poderiam ser simplificados, e até retirados, sem prejuízo ao valor histórico e patriótico da obra.
Ao resgatar minhas lembranças, volto aos anos de 1948 a 1950, quando estudava no Grupo Escolar David Campista. A saudosa professora Dona Lili (Maria de Lourdes Viotti Vieira) fazia questão que os alunos cantassem, pelo menos uma vez por semana, o Hino Nacional. Era uma forma de cultivar o respeito aos símbolos da Pátria e fortalecer a formação cívica dos estudantes.
Hoje, muitos jovens sabem cantar apenas alguns trechos do hino e poucos conhecem o significado de seus versos. Por isso, mais importante do que decorar a letra é compreender sua mensagem e seu contexto histórico.
Ensinar o Hino Nacional continua sendo uma importante tarefa da escola. Afinal, conhecer nossos símbolos é também conhecer melhor a história e a identidade do Brasil.