Recebi, com enorme alegria, o convite para participar da festinha de aniversário de duas bisnetas: Elena e Cecília. Alegro-me, acima de tudo, por ainda sentir-me capaz de viver momentos assim, resistindo, com serenidade, às intempéries que a idade naturalmente nos impõe.
Mas confesso que minha felicidade não se completa. Falta-me a presença de Lurdinha, minha companheira de mais de 70 anos, para dividir comigo essa emoção.
Ela partiu pouco antes de conhecer sua primeira bisneta, Elena. Talvez tenha sido uma das tristezas que mais me marcaram ao longo da vida, uma dor silenciosa que permaneceu enraizada em meu coração e que, até hoje, ainda não consigo aceitar plenamente.
Jamais esquecerei a tristeza estampada em seu olhar quando, já doente, confidenciou-me que talvez não viesse a conhecer sua primeira “bis”. E o destino - ou quem sabe os desígnios daquele que tudo pode - não lhe concedeu essa alegria. Justamente a ela, que dedicava um amor imenso à sua família e aos seus oito netos e que, certamente, teria amor ainda maior para oferecer aos bisnetos.
Estes, os bisnetos, são a continuação do nosso legado, a prova viva de que o amor se perpetua e se multiplica através das gerações. Representam o mais precioso presente que a vida pode oferecer: ver a árvore da família florescer novamente, trazendo consigo novos sorrisos, esperança, juventude e renovação para todos nós.
Tenho certeza de que, onde estiver, Lurdinha olha por eles lá do alto. E é com ela em pensamento que desejamos mil felicidades a Elena e Cecília por seus aniversários, estendendo esse mesmo carinho aos outros dois bisnetos, Luna e Theo, que também ocupam um lugar muito especial em meu coração.