“Nomes importantes de nossa imprensa, da vida literária e do cenário intelectual do final do século passado reaparecem nessas páginas amareladas pelo tempo, mas ainda vivas na memória daqueles que aprenderam a amar esta cidade.”
Havia na Rua Assis Figueiredo, o histórico Bar Carletto. Era um bar muito grande, bem próximo à loja do atual Magazine Luiza. Não era uma casa chique como o Bar Castelões, da praça Pedro Sanches. Era até mesmo um pouco escuro, mas tinha lá suas curiosidades. O dono, de nome Djavan, era uma figura bastante engraçada. De baixa estatura, cabelos bem grandes para a época, e de pouca conversa, mas sorria à toa.
Uma das curiosidades do bar foi ter se transformado em um ponto de encontro de intelectuais, especialmente poetas e escritores. Ali, quase que diariamente um grupo de amigos se reunia para tomar o seu café ou mesmo um aperitivo e falar de literatura, mostrar seus novos sonetos e contos, e discutir sobre as vidas de grandes literatos ou mostrar um novo livro que estava escrevendo.
Havia no salão, um quadro, de Leonardo da Vinci, que acabou recebendo a alcunha de “Santa Ceia”, onde os personagens bíblicos tinham seus rostos substituídos pelos “apóstolos sulfurosos”.
No texto de Roberto Tereziano, alguns dos integrantes do grupo tornaram-se inesquecíveis: Dr. Benjamim Rabelo Mariano, advogado, cafeicultor e escritor; e Dr. Hélio Landi, advogado e escritor, que mais tarde se tornou Juiz de Direito e exímio violonista.
Havia também integrantes que não faziam parte da mesa todos os dias, como Dr. Edmundo Cardillo, advogado e escritor, que morava quase em frente, onde é hoje o Café Sete Quedas; e o farmacêutico Jurandir Ferreira, que mais tarde se tornou o maior e mais conhecido escritor de Poços de Caldas.