Projeto do minimuseu, um sonho frustrado

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Projeto do minimuseu, um sonho frustrado
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Meus leitores talvez ainda se recordem da crônica que escrevi quando surgiu a notícia de que a antiga sede da Guarda Mirim seria demolida. Naquela ocasião, alimentei um sonho: transformar o pequeno prédio da Rua Junqueiras num minimuseu da memória de Poços de Caldas, sob os cuidados do historiador Roberto Tereziano.

A ideia não nascia apenas de um sentimento nostálgico, mas da certeza de que Tereziano reúne - ainda hoje - um dos mais valiosos acervos históricos sobre nossa cidade, seus personagens, costumes e acontecimentos. Um patrimônio documental e afetivo que, em muitos aspectos, rivaliza em riqueza com o acervo de nosso admirável Museu Histórico e Geográfico de Poços de Caldas.

Mas o tempo passou depressa. A Construtora tomou posse do imóvel, as paredes da velha Guarda Mirim perderam sua função e, com elas, parece também desaparecer a possibilidade de concretizar aquele sonho coletivo: o de preservar, em um espaço simples, porém carregado de simbolismo, fragmentos preciosos da história poços-caldense.

Hoje, já resignado, volto meus olhos ao passado para salvar ao menos a memória escrita. Entre papéis guardados por Tereziano, consegui resgatar um de seus inúmeros textos históricos - um verdadeiro relicário de lembranças. Irei publicar aqui, oportunamente.

Faço isso não apenas pelo prazer da recordação, mas também como um tributo à inteligência e à sensibilidade de homens e mulheres que ajudaram a construir a identidade cultural de Poços de Caldas. Nomes importantes de nossa imprensa, da vida literária e do cenário intelectual do final do século passado reaparecem nessas páginas amareladas pelo tempo, mas ainda vivas na memória daqueles que aprenderam a amar esta cidade.


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