27/06/2022 às 16h16min - Atualizada em 27/06/2022 às 16h16min

Viagem ao Santuário de Aparecida: emoção à flor da pele

Parte 1

Texto e Fotos: Marcelo Vasconcellos Camillo
V
Neste dia em que minha esposa Renata completa 53 anos de vida (22/06), resolvemos ir ao Santuário de Nossa Senhora de Aparecida, na cidade de Aparecida (SP), conhecida também como Aparecida do Norte. Não me lembrava de já ter ido à cidade, que é visitada por cinco milhões de pessoas por ano, e confesso que tive que checar com meu pai. Eu, como católico, me sinto até envergonhado de dizer que nunca havia ido. Porém, nunca é tarde para conhecer o Santuário dedicado à Nossa Senhora, padroeira do Brasil.
 
Aconselhado pelo meu genro, Rodrigo, optei por fazer o caminho mais longo (Campinas/D. Pedro/Dutra-São José dos Campos) por ser bem mais seguro, com pista dupla durante todo o trajeto, com pontos de parada. A outra alternativa, a BR-459 (Pouso Alegre/Itajubá/Piquete), foi considerada, no passado, uma das rodovias mais perigosas e mortais do Brasil.
 
Reserva de hotel no celular, Geovanna e Rodrigo nos indicaram a Pousada do Bom Jesus, já que há poucos dias atrás estiveram hospedados nesta mesma pousada com a minha neta Elena e a minha filha Eduarda.
 
E assim como mostrado no aplicativo Waze, depois de quatro horas e vinte minutos de viagem, em pouco mais de 390 Km, com uma parada no Frango Assado da Via Dutra, já estávamos parando nosso carro no estacionamento do Santuário. Nosso primeiro compromisso era assistir à missa das 18h. Uma rápida passada na loja oficial, ao lado do estacionamento, para comprarmos as tradicionais lembranças. Dali já avistamos a Fachada Norte da igreja. Já escurecia e as luzes revelavam todo o brilho do revestimento das fachadas, num belíssimo mosaico de pedras de artes sacras.
 
Só na Fachada Norte foram quatro meses de obra, sendo o responsável pelo projeto o padre jesuíta Marko Ivan Rupnik, que vive e trabalha em Roma, Itália. O trabalho foi feito por 26 artistas de 10 nacionalidades diferentes, que revestiram 4 mil m2 com arte litúrgica. As 24 cenas do mosaico trazem as principais passagens do Livro do Êxodo, desde a história de José, o Nascimento e a Vocação de Moisés, as Situações de Escravidão do Egito, a Ação de Deus em favor do Povo, a Páscoa Hebraica, a Libertação, a Travessia do Mar Vermelho e os Eventos do Deserto. Bem acima dos três imensos Portais de Entrada está a frase “Estais mergulhados na comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo” - estes três últimos logo em cima de cada portal. Sensacional, esta foi a nossa primeira impressão.
 
Já dentro da igreja, me surpreendi com a sua magnitude. Caminhamos até a imagem de Nossa Senhora, que fica bem no fundo, em uma das alas da igreja. Por uma rampa de acesso na lateral, pode-se chegar bem próximo da pequena, mas belíssima imagem da Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a padroeira do Brasil.
Esta imagem foi encontrada no ano de 1717 por três pescadores (João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia) nas águas do rio Paraíba do Sul. Durante uma pescaria e após várias tentativas sem sucesso, eles apanharam na rede a imagem de uma santa sem cabeça. Ao lançar a rede outra vez, a cabeça da santa foi apanhada e, depois disso, eles tiveram abundância na pesca dos peixes. Durante o período colonial, as imagens sacras eram jogadas em rios ou enterradas quando quebradas.
 
Ali, ao pé da Santa, fizemos uma rápida oração, e um agradecimento pela vida, pela nossa saúde e de nossa família, e logo estávamos sentados no banco da bela Capela de São José, à esquerda do Altar Central, para a nossa primeira programação do dia: a Celebração da Eucaristia das 18h. Ali são celebradas as missas em dias e horários de menor movimento.
Na missa, cercada de emoção, logo após a Benção final, para minha alegria me surpreendo com a Benção dos Objetos. Saímos dali purificados.
 
Hora para darmos uma volta pela igreja e conhecer de perto toda a sua beleza. Em sua Cúpula, em mosaico de pedras, pode-se ler um trecho da Oração da Ave Maria.
Dali fomos para a Capela da Velas e acendemos a nossas velas com as nossas intenções.
 
Bem ao lado, uma enorme estrutura de concreto, em formato da imagem da Nossa Senhora, iluminada com luzes verdes, me chamou a atenção: era o Sino do Santuário. Treze sinos em tamanhos diferentes compõem a estrutura, sendo cada um dedicado aos doze apóstolos; o décimo terceiro e maior, dedicado à Virgem de Aparecida e a São José.
 
POUSADA DO BOM JESUS - Pouco antes das 20h entramos em nosso quarto da Pousada do Bom Jesus. Hoje uma pousada, mas antes era o Seminário Missionário Bom Jesus, conhecido como “Colegião” - Arquidiocese de Aparecida - SP. O início de sua construção, datada em 1894, para atender como Seminário Central, as dioceses do sul do Brasil. Seu projeto de arquitetura foi inspirado no Palácio de Versailles, da França. Todo de tijolo exposto, que eram produzidos ali mesmo na olaria, sendo que cada tijolo possui a marca NSA (Nossa Senhora Aparecida). Com uma extensa cronologia, serviu até de acampamento em sua parte externa para o exército, durante a Revolução Constitucionalista, em 1932.
Em julho de 1980 a Pousada recebeu como hóspede o Venerável Papa João Paulo II. As obras de revitalização do edifício foram iniciadas em outubro de 2005 para acolher o Papa Bento XVI como hóspede, em maio de 2007, e foram concluídas em março de 2012. Em julho de 2013 o local recebeu como hóspede o Papa Francisco, durante a Jornada Mundial da Juventude.
 

A
mplos corredores, pisos ladrilhados, belas escadarias, portas altíssimas, assim como o pé direito, nos dão a nítida sensação que estamos mesmo num Seminário de Padres e afins, jamais em um hotel, devido ao tamanho dos aposentos, largura das escadas e corredores, além de imagens sacras para todo canto.
 
Logo estávamos no restaurante da pousada. Imaginei que nosso jantar especial seria servido “à la carte”, e ficaríamos ali um bom tempo, porém nada disto ocorreu. Um simples buffet self-service fica à disposição dos hóspedes, apenas o básico. Afinal, ali era um lugar para romeiros que foram visitar o Santuário, nada de luxo. Algumas fotos da belíssima fachada toda iluminada do lado de fora para recordação, e logo fomos para nosso aposento.
 
No café da manhã do dia seguinte, a mesma simplicidade do jantar; apenas aquela “forrada” no estômago, já que o melhor alimento viria a seguir, a Eucaristia! Por conta do tempo curto, não chegamos a visitar a Ala Pontifícia da pousada, com os objetos e aposentos dos Papas que ali se hospedaram.
 
 
Amanhã (28), continuarei a relatar essa experiência magnífica, acompanhe.
 

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