07/06/2022 às 16h29min - Atualizada em 07/06/2022 às 16h29min

A imponência natural da Chapada dos Guimarães

Texto e fotos: Cláudia Camillo Prieto
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Localizado a 62 km de Cuiabá, o município de Chapada dos Guimarães serve de base para visitas ao parque e seus arredores. Suas inúmeras cachoeiras de águas cristalinas, rios límpidos e paredões de arenito agregam um incontável valor à beleza da vegetação do cerrado e sua fauna exótica
 
Com sua altitude de 760m sobre o nível do mar, a região da Chapada dos Guimarães é uma das principais atrações do cerrado brasileiro. Partindo de Cuiabá pela MT-251, não demora muito para os imponentes paredões de arenito vermelho despontarem no horizonte. O visual impressiona pela beleza e imensidão. Logo antes de a estrada subir os contrafortes da chapada fica a Salgadeira. Antigo pouso de tropeiros, o córrego de mesmo nome abriga um complexo turístico com área para camping e restaurantes. Costuma ficar muito cheio aos finais de semana, por isso não é recomendado para quem busca um contato mais sossegado com a natureza.

A estrada, que até então apenas margeara o parque, agora adentra seus limites. Depois das primeiras curvas rumo ao topo da chapada chega-se ao Portão do Inferno (foto), primeiro mirante, local de onde se tem um aperitivo do visual por vir. Já no topo fica a sede do Parque Nacional.
  
PARQUE - Atrativo mais visitado no estado, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães foi criado em 1989, fruto da mobilização pela preservação das cabeceiras de vários rios que compõem a bacia do Alto Paraguai e pela concretização do turismo na região. As atrações naturais dentro dos limites do Parque Nacional são muitas. São 33 mil hectares de chapadas, cânions, formações rochosas, sítios arqueológicos e palenteológicos e muitas cachoeiras em meio à vegetação típica do cerrado, com árvores baixas e retorcidas e grande diversidade. A fauna também é rica: avistam-se com frequência papagaios, araras, emas e maritacas. Há outras espécies, como lobo-guará, veado campeiro, etc. Estão contidos também na área da unidade, mais de 50 sítios arqueológicos com pinturas rupestres.
 
Principal atração, a Cachoeira Véu de Noiva possui uma queda d´água com quase cem metros de altura e fica bem perto do centro de visitantes, o que facilita a vida dos mais sedentários. Um acidente com turistas no final de abril de 2008 - o desmoronamento de uma encosta da cachoeira, que vitimou uma pessoa e feriu outras três -, no entanto, provocou o fechamento da cachoeira e, consequentemente, do Parque. A interdição por tempo indeterminado, decretada pelo IBAMA, causou prejuízo para a economia e sociedade chapadense.
 
A Secretária Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente do município, Emyle Daltro Pellegrim, lembrou que a gestão do Parque é federal e disse que a falta de um Plano de Manejo impossibilita ações mais contundentes para reverter o quadro de “abandono” em que se encontra. Mas lembra que o Parque representa pouco mais de 30% do potencial turístico da Chapada dos Guimarães e reforça a ideia de que o local tem muito mais a oferecer ao visitante. Leia-se: cachoeiras de águas cristalinas, corredeiras, trilhas com variadas distâncias e graus de dificuldade e até cavernas pouco exploradas, totalizando mais de 30 pontos de interesse.
  

 
MIRANTE DO CENTRO GEODÉSICO DA AMÉRICA DO SUL - O nome se refere ao que seria o ponto mais central do continente, equidistante dos Oceanos Atlântico e Pacífico. Mas, para historiadores e a Câmara Municipal de Cuiabá, o ponto exato fica na capital, o que gerou um imbróglio político com a prefeitura da Chapada. O Diretor de Turismo da Secretaria Municipal de Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Turismo de Cuiabá à época, Jaime Yasuo Okamura, disse que a Chapada é o “ponto geodésico”, estando o “centro geodésico” localizado em Cuiabá.
Para muitos visitantes e moradores, porém, a Chapada também é um lugar místico, cheio de lendas de discos voadores e duendes. Polêmicas geográficas à parte, a vista que se descortina da Baixada Cuiabana e dos paredões rochosos pelas trilhas que beiram os penhascos é deslumbrante. Nos dias de céu limpo, é possível avistar à distância a cidade de Cuiabá (vale lembrar que 69% do Parque pertence à capital mato-grossense).
Um dos mirantes do local, o do Morro dos Ventos, tem uma plataforma suspensa de onde se avista a planície e a Cachoeira do Amor, e um restaurante com o mesmo nome onde serve-se comida regional.
 
CIDADE DE CHAPADA - Localizado a 62 km de Cuiabá, o município de Chapada dos Guimarães, com pouco mais de 17 mil habitantes, serve de base para visitas ao parque e seus arredores. A cidade, que nos últimos anos cresceu desordenadamente, com políticas públicas insipientes, segundo a Secretária Municipal de Turismo, Cultura e Meio Ambiente, aos finais de semana é invadida por cuiabanos em busca de um refresco no intenso calor da capital mato-grossense. 
Na praça principal da cidade fica a Igreja de Nossa Senhora de Santana do Sacramento, construída em estilo barroco no ano de 1779. Também é possível ir às compras nas lojinhas que cercam a praça e vendem artesanato típico da região.
Região de cerrado e nascentes, está situada sobre uma das placas tectônicas mais antigas do planeta.
 
NOTA - A viagem continua amanhã (dia 8), com a visita à caverna Aroe Jari (Morada das Almas), a segunda maior caverna de arenito do Brasil, acessível somente com o acompanhamento de guias especializados da Embratur.
 

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