06/06/2022 às 16h04min - Atualizada em 06/06/2022 às 16h04min

Pantanal - Para quem tem medo até de passarinho...

Texto e fotos: Cláudia Camillo Prieto
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Na “cola” do estrondoso sucesso que a novela das 9 da Rede Globo está fazendo, e aproveitando a repercussão nas redes sociais do remake da primeira versão do folhetim da Manchete, de 1990, decidi publicar aqui no Portal Brand-News as matérias que fiz para o jornal impresso, no retorno de nossa viagem ao Pantanal e Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, em maio de 2008.
 
Um grupo de jornalistas de várias regiões do país participou, nesta data, de um famtour pelo Pantanal, Chapada dos Guimarães e Cuiabá. O convite partiu da Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo (Sedtur) - que realizou naquela data, na capital mato-grossense, a 15ª edição da Festa Internacional do Pantanal. Em cinco dias de evento, 26 empresas de MT expuseram e venderam produtos turísticos com enfoque nos três ecossistemas: Pantanal, Amazônia e Cerrado.
 
Para quem tem medo até de passarinho, o que dirá de onça-pintada, até que me saí muito bem na viagem. A princípio, o convite causou apreensão. Afinal, já sabia de antemão que teríamos que ver e fotografar jacarés, capivaras, tamanduás, ariranhas, entre caminhadas, trilhas, passeios de barco, etc.
Mas sabendo que o Reynaldo Prieto estaria comigo - e no grupo de jornalistas estariam outros homens destemidos -, não pensei duas vezes.
E com expectativa e curiosidade afloradas, seguimos viagem até Cuiabá (definitivamente o lugar mais quente em que já estive na minha vida!), que seria ponto de partida para a aventura no Pantanal. Diga-se, uma das melhores e surpreendentes viagens que fizemos.
 
O Pantanal, que nasce no estado de Mato Grosso, vive no imaginário de quem já visitou ou ainda pretende conhecer o principal santuário da vida silvestre no continente sul-americano


O portal que anuncia o início da rodovia Transpantaneira dá uma pista do que virá pela frente: são 149 km de uma estreita mas bem conservada estrada de terra, cortada por 126 pequenas pontes de madeira e uma planície a perder de vista. De um lado e de outro, vegetação periodicamente alagada, com uma profusão de aves, jacarés, capivaras, garças, tuiuiús - a ave que é o ex-líbris do Pantanal - e outras muitas espécies em perfeita sintonia com a natureza ainda preservada.
Estrada-parque com acesso pelo distrito de Poconé - uma das portas de entrada do Pantanal Norte -, a Transpantaneira segue até a cidade de Porto Jofre, nas margens do Rio Cuiabá. Cada ponte é um miradouro com vista para os animais que correm e nadam livres pelos arredores. Pousadas com milhares de hectares despontam no horizonte - a maioria delas mantém a criação de gado paralelo à hotelaria - e disputam a preferência dos turistas que por lá aportam, grande parte deles estrangeiros: europeus, americanos e canadenses.
O que atrai essa legião de visitantes, que cresce a cada ano, todo mundo já sabe: o Pantanal é a maior planície alagável do planeta e terceira maior reserva ambiental do mundo, declarada pela UNESCO “Patrimônio Natural da Humanidade”. Principal santuário da vida silvestre no continente sul-americano, acolhe diversas espécies da fauna e flora dos ecossistemas que o contornam. Esta fantástica biodiversidade inclui quase 700 espécies de aves, 80 tipos de mamíferos, 50 de répteis e 260 espécies de peixes. Na estação das chuvas, considerada a melhor época para visitas, fica inundado pelas águas do rio Paraguai, criando um ecossistema que abriga milhares de espécies.
  

ECOTURISMO - Observar, contemplar esses animais, já seria motivo suficiente para incluir o Pantanal na agenda de viagem. Há quem prefira a pesca esportiva, caminhadas e safáris fotográficos, passeios a cavalo ou de barco. Para estes, opções não faltam. Antigas fazendas de gado foram adaptadas para receber os visitantes, e oferecem uma programação variada para quem aprecia o ecoturismo. Vale até refestelar-se com a sinfonia dos pássaros num canto qualquer de uma pousada, esperando o momento oportuno de juntar-se a um grupo para explorar a região.
O primeiro contato com a exuberante fauna e flora pantaneira pode ter início numa caminhada leve - e a sugestão é o percurso que leva à Torre do Bugil (foto), uma construção de madeira, com 25 metros de altura, de onde se observa a vastidão da planície pantaneira, além dos animais silvestres que habitam as árvores que a circundam. O atrativo é exclusivo aos hóspedes da Pousada Araras Eco Lodge, empreendimento auto-sustentável que impressiona pela estrutura. O proprietário, André von Thuronyi, ambientalista convicto, à época com 37 anos de selva brasileira, conduz ele próprio pequenos grupos até a torre. O acesso é uma aventura por si só: uma passarela suspensa de 800 metros de extensão, em meio à vegetação, de onde se avistam aves, jacarés e o macaco bugil, entre outros.
 
Um dos passeios mais emocionantes - especialmente para quem não tem muita intimidade com a vida animal - é o passeio de barco pelo rio no final de um dia de calor intenso. Com a mesma habilidade que adentra a mata para alimentar os macacos, Josué Lopes Ferreira, mais conhecido como “Peixinho”, violeiro e pantaneiro por opção, convida os turistas para um surpreendente passeio pelo Rio Pixaim, partindo do Hotel Mato Grosso Pantanal, onde trabalha como guia, convocando os tuiuiús e gaviões para vôos rasantes ao redor do barco. A aventura ganha um sabor especial com o pôr do sol que chega para dar um colorido ao visual.
 
Diz-se que a melhor época para visitar o Pantanal é de maio a setembro, quando chove pouco e fica mais fácil ver os animais. Mas André Thuronyi lembra que cada estação do ano apresenta suas belezas e peculiaridades. Para aqueles que têm receio da cheia, ele argumenta que o turista tem acessibilidade o ano todo às pousadas, já que a Transpantaneira está a 45cm acima do nível mais alto de alagamento já registrado.
 
NOTA - Sobre o medo de bicho - todos, indistintamente -, digo sem falsa modéstia que lutei bravamente contra ele (o medo, não os bichos). Nas andanças pelo mato, percorrendo trilhas, cachoeiras, avistei e me aproximei de jacarés, toquei rapidamente em uma capivara, expulsei uma perereca no banheiro da pousada (verdade seja dita, apenas berrei e o Reynaldo me socorreu), fiquei ao lado de macacos e, juro, quase fui surpreendida por uma onça na visita à Caverna Aroe Jari - mas isso ficará para a crônica de quarta-feira (8). Amanhã contarei um pouco sobre nossa estada na Chapada dos Guimarães.    
 
ONDE FICAR:
POUSADA ARARAS ECO LODGE (www.araraslodge.com.br) - Com 3 mil hectares, a Pousada Araras Eco Lodge é toda estruturada para despertar em seus hóspedes a consciência ecológica. Com invejável patrimônio ambiental preservado, oferece uma variedade de atividades de baixo impacto ambiental - como a observação de inúmeras aves, caminhadas em floresta primária, canoagem, passeios a cavalo e observação noturna, sempre com o acompanhamento de guias naturalistas bilíngües, especializados em conceitos de ecoturismo.
Na época da reportagem, a pousada, com 19 apartamentos standard com ar condicionado, estava tentando a certificação junto ao programa ambiental “Bem Receber”, de certificação de atitudes sustentáveis do ponto de vista ambiental e social para meios de hospedagem. 
 
POUSADA PIUVAL (www.pousadapiuval.com.br) - Primeira pousada da Rodovia Transpantaneira, com uma área de 7 mil hectares de terra, possui uma das mais belas paisagens naturais do Pantanal. Fica localizada dentro da Fazenda Ipiranga, que tem mais de 155 anos e faz parte da área dos ninhais, onde os pássaros se encontram para a procriação. Com estrutura sustentável, dispõe de 30 apartamentos com ar condicionado e uma vista fenomenal. Lá já foram rodadas algumas novelas, entre elas “Bicho do Mato”. O maior atrativo está no passeio a cavalo, adentrando as áreas alagadas.

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