28/04/2022 às 15h30min - Atualizada em 28/04/2022 às 15h30min

Viagem à Alemanha: futebol, cerveja (aos litros) e perrengue em Munique

Parte 3

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Terça-feira, 12 de abril. Dia de “matar” dois desejos: viajar de Trem Bala a 300 Km/h e assistir a um jogo de futebol da Champions League. Quis o destino que nesta data seria decidida uma vaga nas semi-finais do principal torneio de clubes da Europa - mais precisamente entre o Bayern de Munique e o espanhol Villarreal.
Já as 7h30 nos encontrávamos na plataforma de embarque para Munique. Em horário pontual, 07h54, a locomotiva ICE 525 encostou, e entramos no segundo vagão do moderno trem. Por uma pequena diferença de tarifa, optei pela primeira classe, já que gostaria de usufruir do melhor que a locomotiva poderia me oferecer. O nosso setor do trem, que mais parecia um avião, é muito confortável, poltronas tipo de avião, banheiros, serviço de bordo, enfim um luxo.
 
Numa viagem de aproximadamente 350 Km, que foi percorrida em pouco mais de 3 horas, dá para se ter uma noção da velocidade. Uma experiência incrível. No serviço de bordo peço um Fuzilli à bolonhesa e uma cerveja de meio litro, “modelo Oktoberfest”, disse-me o comissário. Minha mãe Lurdinha sempre dizia, se você tem fome e não sabe o que comer, peça uma massa, não tem erro. Eliza pediu um arroz com vegetais, prato devorado em instantes. Almoçamos neste momento a mais de 180 km/h, sem sequer sentir o balanço do trem.
 
Com paradas em três estações - eu, muito ansioso, logo questiono o comissário de bordo sobre termos atingido somente 180 km/h até então. Após a parada na estação de Nuremberg, ele responde, o trem ganharia velocidade, pois o trecho seria de retas. Dito e feito. Eufórico, para desespero da Eliza, vou registrando em fotos a velocidade numa crescente: 198, 244, 252, 282, 294 e a máxima de 297 km/h. Sensacional! Carros na rodovia ao lado parecem parados, tamanha a velocidade.
 
Neste caminho de trem de Frankfurt para Munique, duas coisas me chamaram a atenção. Há plantações de uva por todo lado, só videiras, e no momento todas estavam da mesma forma: somente em pequenos pés, que pareciam antigos e secos, de cerca 50 cm, e apenas um galho fino saindo deles. Não entendo como daquele pequeno pedaço de madeira velha sai uma das melhores uvas da Alemanha. A outra coisa foi a quantidade de parques com energia solar, a fotovoltaica, presente em toda propriedade, um sistema gigantesco.
 
Como previsto, desembarcamos às 11h10 na estação ferroviária central de Munique. Nosso hotel era logo ali, o Yours Truly, bem próximo à principal praça de Munique, a Marienplatz. Deixamos as malas e já fomos desbravar a cidade, pois nosso jogo seria somente às 21h. Como um grande apreciador e ainda aprendiz de vinhos, confesso que em Munique só o que me vinha em mente era a cerveja. Terra do Oktoberfest, era esta bebida que nós estávamos à procura na cidade. E não foi difícil de encontrar, já que em qualquer canto da cidade ela é oferecida aos montes, ou em canecas de um litro. De todos os tipos e sabores, a cerveja é um ícone da cidade.
 
Uma parada na Igreja Saint Peter, para agradecer à vida, e logo estávamos sentados numa das várias praças abertas e lotadas de mesas e bancos, com a enorme caneca de 1 litro na mão.
Em uma mesa compartilhada, experimentei a famosa salsicha branca com molho de mostarda. Região lotada - pensei, nunca vi tanta gente numa praça em plena terça-feira nem tanta gente bebendo cerveja ao mesmo tempo -, logo viemos a saber por duas senhoras muito animadas que em Munique era feriado. Aliás, seriam duas semanas seguidas de feriado!
 
Fomos ao mais famoso bar da cidade, o Hofbrauhaus, fundado em 1589, que vive lotado. Como era dia de jogo de futebol, os espanhóis ali faziam a festa, já todos exaltados pelo consumo excessivo da cerveja.
Eu não fiquei para trás. Logo estava dançando e animando os torcedores com suas cantorias, como se estivéssemos no estádio. Canecas e mais canecas de cerveja foram consumidas por nós, em poucas horas.
Ao cair da noite e com o hotel bem próximo, fomos dar uma merecida descansada e trocar de roupa. Partiríamos em direção ao evento principal daquele dia: jogo de futebol no icônico estádio Allianz Arena, com capacidade para 70 mil pessoas, palco da final da Copa do Mundo de 2006.
Como palmeirense, me senti “em casa", devido a similaridade do nome do estádio, e diga-se de passagem, a qualidade e a importância do time.
Precisando vencer o jogo, o Bayern abriu o placar no começo do segundo tempo, o que levaria o jogo para uma prorrogação e uma possível disputa de pênaltis. Porém, faltando apenas três minutos para o jogo acabar e ir para a prorrogação, o time espanhol chegou ao seu primeiro gol, igualando o placar e acabando com as chances dos donos da casa, e logo após encerrando a partida. Aguardamos em nosso local por uns 20 minutos para irmos embora. Na saída do estádio, todos revoltados com a derrota e a desclassificação. Um torcedor alemão chegou a me questionar duramente, perguntando se eu era da torcida adversária. Mostrei o emblema do Brasil na camisa, ele deve ter me xingado, com certeza, pois não entendemos nada, e partiu. Quase que o bicho pegou!
 
No dia seguinte, acordamos bem cedo, já que teríamos só mais um dia para conhecer esta belíssima cidade, a capital da Baviera.
Nossa primeira visita foi à igreja Theatinerkirche, que de fora não parece tão bela, mas por dentro se revela uma das mais lindas de Munique. Impressionante como os povos antigos tinham um talento para estas obras de arte em igrejas.
 
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Na mesma praça fomos visitar o Residenz Museum, antiga residência dos reis da Bavária, um palácio hoje aberto à visitação, simplesmente um sonho de local, principalmente para quem gosta de arquitetura e decoração. Tudo muito bem exposto ali e explicado. Compramos o ticket para visitar a residência toda, o cofre das joias e o teatro.
A Eliza, com o audioguia, ia me passando as informações de cada local. O teatro estaria aberto somente ao final do dia, e infelizmente não poderíamos esperar para conhecê-lo.
 
Dali partimos em direção ao Parque Olímpico de Munique, construído para os Jogos Olímpicos de 1972. E nossa primeira atração foi visitar o Olympiaturm, ou Olympic Tower, a torre mais alta de todo o estado da Baviera. Uma torre super moderna, que por incrível que pareça foi inaugurada em 1968. Ah, esses alemães... Um elevador nos leva até os 192 metros de altura e de lá a visão é espetacular. O estádio olímpico ainda está lá como naquela época, e apenas uma tenda para chuva e sol foi instalada. Também algumas arenas olímpicas permanecem como em 1972.
Me chamaram a atenção as quadras de tênis, umas 10 delas, uma ao lado da outra, sem arquibancadas, muito diferente da estrutura que conhecemos nos dias atuais.
 
Chegou a nossa hora de matar a fome e, ali mesmo, no alto da torre, o Restaurante 181 era o melhor local. Entre tomar uma cerveja e fazer a refeição, foi o tempo exato de dar uma “volta completa” no Parque Olímpico, já que o restaurante é giratório.
 
De lá de cima também observamos o Complexo da BMW, bem ao lado do parque. Descemos e começamos o nosso tour pelo belíssimo museu, uma das atrações do lugar, onde motos e carros contam a história da bem-sucedida marca. Logo ao lado, uma enorme agência com a exposição de carros e motos à venda, os chamados zero quilômetro. Os olhos chegam a brilhar.
 
De volta ao hotel para buscar as mochilas, e logo estamos na estação do metrô, com destino ao aeroporto de Munique, rumo à Berlim. Num momento de raro descuido e infelicidade, e também em função termos feito várias trocas de linhas de trem, erramos o trem que nos levaria até o aeroporto. E no momento mais tenso de toda nossa viagem, a Eliza deixou no banco do vagão, a bolsa contendo os nossos passaportes, documentos, cartões etc. E como eu sempre digo, “quem faz o bem, recebe o bem", fomos agraciados com o gesto de um jovem casal, que percebendo nossa aflição, pois já estávamos do lado de fora e o trem estava prestes a partir, resgatou o objeto e nos entregou. Naquele momento, a nossa viagem estava paga!
Depois do susto, entramos no trem correto e chegamos no aeroporto de Munique. Já era final de tarde e às 19h partiríamos para Berlim, num voo da Lufthansa de apenas uma hora e cinco minutos.
 
A viagem continua amanhã, aqui no Portal Brand-News. Acompanhe!


 

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