26/04/2022 às 15h46min - Atualizada em 26/04/2022 às 15h46min

Viagem à Alemanha: da tensão no aeroporto ao bate-pernas em Wiesbaden

Parte 1

Famosa por suas águas termais, Wiesbaden fica pertinho de Frankfurt e foi minha primeira parada em terras alemãs  
 
No sábado, 9 de abril, um motorista de aplicativo me pega em casa para me levar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Agora é a minha vez de entrar pela porta amarela do salão de embarque, onde por tantas vezes estive para levar e também buscar a minha caçula, Eliza Camillo, em viagem para Porto, em Portugal. Morando desde setembro de 2019 na “terrinha", por duas vezes tivemos a chance de visitá-la, mas o velho coronavírus nos impediu. Eis que a menina aplicou uma residência do curso de Economia na FEP (Faculdade de Economia do Porto) em outro país europeu e foi agraciada com um período de um semestre na Alemanha, mais precisamente em Wiesbaden, região de Frankfurt, na EBS Schloss. Ela, que não é boba nem nada, aceitou e mudou-se pra lá de mala e cuia. Conhecer Porto, ficou para logo mais.
 
Depois de semanas de planejamento logístico, transporte, hospedagem, o que fazer, o que visitar, documentação, compra de voos, testes, exames, etc, já me encontro na fila do check-in do balcão da Lufthansa, companhia aérea escolhida para me levar até Frankfurt. A Flytour Poços, mais uma vez, foi a agência escolhida para providenciar as passagens, hospedagem, seguro de viagem e, inclusive, o chip de celular, tão imprescindível nos dias se hoje. Cerca de 11h30minutos após a decolagem, o Boeing 747-800 aterrissava em solo alemão.
Em uma pasta de plástico levei todos os documentos impressos, totalizando mais de 60 folhas, pois seguro morreu de velho - ou eu sou velho e não confio muito que estas coisas fiquem somente no celular e e-mails! E o nervosismo na hora de encarar o agente alfandegário, atendentes de hotéis, etc? Vai que não lembro as senhas! Minha filha foi à loucura, disse que eu não iria precisar de nenhum papel. E de fato não precisamos.
 
Após passar pelo raio x com a bagagem, o momento mais tenso estava reservado para a etapa seguinte. Um policial com um cão farejador. Eu, com uma mala de mão e uma mochila. Na minha vez, o dog encasquetou com um cheiro diferente que vinha lá de dentro - pelo tempo que ficou “analisando”, pelo jeito nunca devia ter sentido antes. Uma “farinha" diferente, no caso o polvilho azedo que cobria uma dúzia de pães de queijo fresquinhos feitos pela Renata, especialmente para a Eliza, horas antes da minha partida em Poços. Naquele momento tenso, pensei: pronto, só falta o dog “sentar". Mas para o meu alívio, ele seguiu para a mala seguinte. Mas que o oficial olhou pra mim e deve ter pensado “tá trazendo um bagulho proibido aí, né, meu caro?”, ah isso ele pensou...
 
Já era domingo, 10h da manhã, 5 graus de temperatura lá fora, hora de bater pernas (como dizia a minha mãe Lurdinha) e aproveitar ao máximo a nossa Semana Santa juntos. Muita coisa estava por vir, nossa programação era muito extensa, com visitas às cidades de Munique e Berlim, além, é claro, Frankfurt e Wiesbaden. E não podíamos perder tempo. Dormir? Só no voo de volta para o Brasil, como a Eliza sugeriu.
 
Neto de um ferreiro que trabalhou por anos na antiga estrada de ferro Paranapiacaba/Santos, onde nasceu meu pai, Odair, cresci ouvindo histórias dos trens, sua paixão pelas locomotivas. E lendo as crônicas de viagem pelo mundo publicadas no Jornal Brand-News, sempre a bordo de trens, com minha mãe, peguei também o gosto por “aquela coisa”, como dizem nós, os mineiros.
 
 
“Em poucas horas eu já tinha andado mais de trem na Alemanha do que em toda a minha vida, pois pelo que me lembro só havia feito o trajeto no saudoso Trem Turístico Poços/Águas da Prata”
 
Um trem nos leva do aeroporto para a Estação Central de Wiesbaden. Ali já está a primeira atração turística, pouco mais de 40 minutos separam os dois locais. De lá pegamos outro trem, sentido à pequena vila chamada Oestrich-Winkel, onde fica a residência estudantil da Eliza, bem ao lado da faculdade. Mais 20 minutos e cinco estações depois descemos na estação Hattenheim. E este trajeto iria ser repetido por diversas vezes, que alegria.
 
Deixei as malas e após um breve reconhecimento do local, já estávamos a caminho de volta para Wiesbaden. Enfim, em poucas horas eu já tinha andado mais de trem na Alemanha do que em toda a minha vida, pois pelo que me lembro só havia feito o trajeto no saudoso Trem Turístico Poços/Águas da Prata.
 
Wiesbaden, cidade limpa e tranquila, não encontrei sequer um policial, viatura ou agente de trânsito. Pode-se caminhar tranquilamente pelas ruas, sem ser incomodado. Muito charmosa, modernos prédios, lado a lado com prédios históricos. Com o nosso itinerário feito no Google Maps, fomos desbravando a cidade. Diversos palacetes, Wiesbaden é famosa, desde os tempos romanos, pelos antigos e elegantes balneários da Europa e suas famosas águas termais e medicinais. Uma passada em frente ao Museu da cidade e logo chegamos ao centro histórico, nosso foco principal. Naquela altura e já mortos de fome, almoçamos num pequeno e charmoso restaurante e brindamos à saudade, que já durava oito meses.

O Teatro Nacional Hessisches Staatstheater foi o primeiro que vimos.
Seguimos até o Aquis Mattiacis, onde funcionam salas de águas termais e um cassino. Entramos e até tentei fazer uma “fezinha”, vai que, né? Mas estávamos sem o passaporte.
Dali passamos pelo Kochbrunenn, uma fonte de água termal que jorra a mais de 60 graus.


 


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O Memorial do Holocausto me chamou muito a atenção. Numa enorme parede de granito estão gravados mais de 3 mil nomes de pessoas que morreram durante aquele período - com nome completo, data de nascimento e desaparecimento, e o local do campo de concentração.
Faço ali uma singela homenagem, uma oração, e nos despedimos.

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Na praça principal do centro histórico está a imponente igreja Marktkirche, com uma torre mais alta da cidade. Entramos para rezar e agradecer à vida!
 
Já era hora de “tomar umas”, e assim como minha saudosa mãe, nos bares já faço amizade e logo estou conversando com os donos, garçons e demais frequentadores. Com meu pífio inglês (estilo Joel Santana), misturando com o português e gesticulando, para o desespero da Eliza e alegria dos demais, me saio muito bem, por sinal. Desta forma, me comuniquei na Alemanha todos os dias.
 
Após o domingo todo desbravando Wiesbaden, voltamos ao apartamento para o merecido descanso, já que no dia seguinte, segunda-feira, dia 11, iríamos logo cedo para Frankfurt - tema da crônica que será publicada amanhã pelo Portal Brand-News. Não deixe de ler!
 
Marcelo Vasconcellos Camillo



 

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