28/12/2021 às 16h00min - Atualizada em 28/12/2021 às 16h00min

Nápoles, muito mais do que somente pizzas

Crônicas de viagem do livro "Lurdinha Camillo - Pelo Mundo"
FOTOS: Brand-News
Lurdinha Camillo e a fachada de um dos mais característicos restaurantes da cidade italiana
O napolitano está longe de se orgulhar só de suas pizzas. A importância do baba ao rum e da sfogliatella tem de ser considerada. O primeiro é um bolo embebido em rum, açúcar e cascas de limão. O segundo, recheio de ricota e fruta cristalizada.
O Scarturchio tem tradição nesses doces. Desde 1905, fornadas de sfogliatellas saem o dia inteiro de seus fornos. O endereço: Piazza S. Domenico Magggiore, pertinho da estação Universitá, do metrô.
Mas, vem cá, eu não posso começar esta crônica com um endereço onde se come o melhor doce da Itália. Ai, Dio mio, vão pensar que fui a Nápoles só para comer! Ma no, aquela imagem das estreitas ruas, com os varais de roupas coloridas, os murais pintados, as mulheres com lenços nas cabeças, e as gelaterias, uma casa sim, uma casa não, povoavam meu imaginário.
Mas comecei em Nápoles em grande estilo.
 
Entrei em um dos trechos mais culturais da Via San Biagio dei Librai com os trechos mais artísticos de Nápoles, com artesãos vendendo, desde o século 18, presépios e figuras sacras. Mas como gosto de palácios e jardins suspensos, fomos à busca do Palazzo Venezia, facinho de encontrar, no número 19 da Via Benedetto Cocre. Belíssima construção ocupada pelo Rei de Nápoles e figurões da República de Veneza. No século 15, o rei napolitano doou aos venezianos o palácio para receber as autoridades da época.
O prédio, em paredes vermelhas, tem no jardim suspenso ambiente próprio para recitais e concertos musicais. Dá tempo de uma entradinha na igreja de Gesù Nuovo? Tem que dar. Afinal, a misteriosa fachada forma um paredão grandioso com sinais na parte de baixo do paredão. Por séculos tentaram entender seu significado. O historiador Vincenzo de Pasquale decifrou o mistério: uma histórica partitura no alfabeto de Jesus, em aramaico.

 Pronto, agora, atrás das pizzas. Entre becos e motos, a Gino Sorbillo é patrimônio local. Na cidade “pizzaiola”, poucas redondas valem as filas. Massa fininha, a Margherita tem tudo para ser a melhor da sua vida.
Enquanto esperamos, um bom Chianti vai reforçando a vontade de experimentar a atração de Nápoles. E a noite é longa na alegre e ruidosa cidade. O Superflay, pequenino, serve ótimos drinques. Fácil de ir. Pegamos um táxi no hotel.
Maratona do dia seguinte: café da manhã farto, roupa confortável, tênis da hora, pegamos o fusaro e descemos na parada Corso Vittorio Emanuele. Saudade da lindíssima Galeria Vitorio Emanuele de Milão. Uma das coisas mais chics de Milão. Atrás apenas da Rua Monte Napoleone, claro, claro. Em torno, lojas, galerias e prédios lindíssimos, cheios de histórias... Pertinho, a trattoria Dell Oca serve o delicioso Mezzanelli allo scarpariello, massa rústica com molho de tomate cereja. Uma taça de vinho da Campanha não faz mal nenhum.
 
Saímos para a beleza da tarde a procurar a Via Chiaia, uma das mais comerciais da cidade. Andamos e andamos pela Piazza Del Pebliscito, palco de manifestações culturais importantes. Imponente, a Basílica di San Francisco da Paola, com colunas forjadas de mármore mondragone, um dos mais raros da Itália.
Vamos indo a pé para a Via Toledo, com uma pausa para um sorvete na gelateria Mennella. O de pistache é divino. Entramos na Galeria Humberto 1, da mesma época que a gêmea milanesa. Vero, com menos pompa e circunstância. No caos organizado que é o trânsito de Nápoles, as motonetas imperam. No Quartieri Spagnoli, antiquíssimo bairro, só dá elas. A maioria das ruas, estreitíssimas, não comporta carros.
O bairro do século 16 é acessível de vários pontos da rua Toledo. Suba e se perca pelas ruas lotadas de casinhas coloridas, artesãos pela estreitas calçadas e as sempre presentes gelaterias. Um museo sob o Vesúvio. E uma última pizza, fomos procurar a Pizzeria AI 22, do premiado mestre pizzaiolo Giovanni Improta. Lazanha, mussarela, ricota e presunto cru, acompanhada de cerveja. Fechamos com chave de ouro.
Domingo, o Giovanni descansa. Fa benne. Nós também. De volta para casa.
Arrivederci, bella Itália mia!
 
Dezembro 2018



 

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