14/09/2021 às 13h20min - Atualizada em 14/09/2021 às 13h20min

Pelos trilhos do centro histórico de Santos

Crônicas de viagem do livro "Lurdinha Camillo - Pelo Mundo"
FOTOS: Brand-News/ Tadeu Nascimento
Estação do Valongo, datada de 1860, é uma cópia reduzida da Victoria Station, de Londres
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   Sempre me surpreendo quando vou a Santos, para mim uma das mais interessantes cidades do litoral paulista. E há sempre boas opções para quem a visita. Como caminhar horas a fio pela orla do mar, com seus jardins bem cuidados, admirando as estátuas em bronze de personagens que passaram e deixaram para a história de Santos, um patrimônio cultural respaldado com a riqueza do café, símbolo do poder dos barões e coronéis que deixaram de legado à cidade, o maior alfandegário do país.
   Se de um lado os jardins convidam para longas caminhadas, com o vento trazendo a brisa refrescante do mar de águas tranquilas, a avenida, com suas pistas largas e movimentadas, apresenta um mundo onde os espigões sobem vertiginosamente, com belos e ousados projetos arquitetônicos desafiando antigos palacetes e sobrados coloniais a disputar os valores de especulação imobiliária. E são raros os que resistem. Enfim, perde-se na história, mas ganha-se no expressivo olhar de modernidade de uma cidade que tem um passado glorioso e um futuro que chega a passos rápidos.
   O majestoso Hotel Atlântico, que ainda guarda a imponência de sua arquitetura Belle Époque, marca território na esquina mais movimentada do Gonzaga, e todos os caminhos levam para os shoppings centers.
   Frutos do mar são levados a sério nos cardápios dos restaurantes, mas o camarão é sempre a bola da vez. Chopp? O Santos Chopp homenageia com espuma na medida a moçada ruidosa e bonita da casa simples com varandão da Rua Minas Gerais. Dica garantida de quem entende de chopp. E fala sério: mineiro se sente em casa...
  
  Mas chega de shoppings, camarões e chopp. Fui andar no bonde que faz a linha turística do centro histórico de Santos. O gracioso bonde, verdadeira relíquia da época colonial, inicia o trajeto na Praça Visconde de Mauá e segue rumo ao Santuário Santo Antônio do Valongo, com história dos fiéis escravos que frequentavam a bela igreja. Hoje, casamentos luxuosos são marcados com muita antecedência. Passamos em frente à Estação São Paulo, marco da chegada de imigrantes que têm suas histórias retratadas no museu de um dos salões.
   O suntuoso palacete da Bolsa Oficial de Café é a próxima parada. O delicioso aroma do café tomado no balcão, mais a história do apogeu das chamadas pepitas de ouro mostradas em painéis que revestem as imponentes paredes, faz valer a pena o passeio. Não vou falar das caixas de chocolates, produto especial da casa? Claro que vou! Impossível sair sem algumas.
   E o bonde andou... Alfândega, Outeiro de Santa Catarina, Teatro Coliseu, Pantheon dos Andradas, Conjunto do Carmo. Desci do bonde e voltei no tempo. Voltei? Não! Fui para o contemporâneo de Tomie Otake, com sua gigantesca onda vermelha, obra-prima da artista plástica que tem no Complexo do Emissário, um espaço valorizadíssimo pelos cidadãos de Santos. Sentei nos imensos degraus e descansei meus olhos com a beleza das ondas do mar da praia do José Menino, ali embaixo. Os surfistas saradões, bronzeados, com os cabelos ao vento? Nem reparei...

 
Outubro 2010
 


 
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