17/08/2021 às 14h38min - Atualizada em 17/08/2021 às 14h38min

Sul da Bahia. Devagar, que é para não chegar estressado

Crônicas de viagem do livro "Lurdinha Camillo - Pelo Mundo"
FOTOS: Brand-News

  Não! Não é a história de Adão e Eva. E nem é preciso morrer, como está escrito na Bíblia. Ao contrário, é melhor estar vivinho da Silva para desfrutar de tudo. E nem é São Pedro quem recebe à porta, os eleitos. Os anfitriões agora são empresários italianos, franceses, e também mineiros com poder de fogo suficiente para investir pesado em hotelaria de luxo.
   E chegar ao paraíso, hoje, é via TAM, direto para o sul da Bahia. Coisa assim de pouco menos de três horas, coisa pouca de pura lerdeza, como diz o baiano. O clima já vai tomando conta. Devagar, que é para não chegar estressado. E começar com a visão do Monte Pascoal, localizado a pouco mais de 60 km de Porto Seguro, já estava de bom tamanho.
  Fotografamos de vários ângulos e seguimos viagem, afinal não estávamos descobrindo nada - como conta a história, Pedro Álvares Cabral e sua tripulação já haviam feito essa proeza, iniciando ali, em 1500, o descobrimento do Brasil. Mais especificamente, na foz do Rio Cahy, local onde se deu o primeiro contato com os índios que lá viviam.
  
  Feitas as fotos, seguimos para a cidade de Prado. Inicialmente uma aldeia de índios Aimorés - que se tivessem resistido aos dias atuais, certamente trocariam seus rústicos cardápios pelas bem temperadas peixadas; badejos embrulhados em folhas de bananeira ao molho de hortelã e mostarda Dijon; camarões rosa empanados com coco e arroz à grega; o famoso Budião, peixe de pesca diferenciada e em fase de extinção, servido com baroa e gorgonzola. Aiaiai, uiuiui.
   Tudo isso e muito mais pelos bares e restaurantes do “Beco das Garrafas”, bem no centrinho histórico da cidade, que abriga também a Matriz de Nossa Senhora da Purificação, construída em 1876, em meio à arquitetura do século XIX.
  Nossa agenda começava de manhãzinha. O sol nascendo e o pique ali, no ritmo. O guia, hábil conhecedor da história, contava tim-tim por tim-tim o trajeto.
  
  Passeamos entre as ruas estreitas e arborizadas de Alcobaça. Os casarios coloniais refletem a história da cidade marcada pela cultura africana, portuguesa e indígena. Alcoçaba é um dos principais portões de entrada para o Parque Municipal de Abrolhos, e os turistas se encantam com as mais variadas espécies marinhas brasileiras.
  De Abrolhos, o confortável catamarã partiu para alto-mar onde as baleias Jubarte extasiam quem se aventura a uma distância segura. Poucos se atrevem a uma aproximação maior. A atração parece ressaltar o ego das imensas baleias, que mergulham e reaparecem com grande estardalhaço.
   Como um copo d’água, para mim, já é enchente, nem pensei em sair do catamarã. Deus me livre de alguma baleia encrencar comigo!
  
  Mais uma manhã e lá fomos conhecer a graciosa Caravelas. Passagem de grandes nomes da história nacional, o desbravador Teófilo Otoni apelidou-a de “Princesinha de Abrolhos”. Com uma infraestrutura ideal para quem pratica mergulho e ecoturismo, Caravelas oferece passeios inesquecíveis.
  
 Fechar com chave de ouro a semana recheada só de coisas bacanas? Fácil! E só descobrir a sala de estar do paraíso, que atende pelo nome de La Isla, o luxuoso eco resort Costa das Baleias, em Prado.
   Vai pra Bahia? Coloque este nome na agenda.
 
Novembro 2009




 
 
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