12/08/2021 às 15h54min - Atualizada em 12/08/2021 às 15h54min

Pela Toscana. De trem

Crônicas de viagem do livro "Lurdinha Camillo - Pelo Mundo"
Lurdinha Camillo em Siena, Itália,na viagem realizada em março de 2009

  Va bene! Tenho que economizar no texto, por conta do espaço. Economizar? Ma che? O Brand-News também não é meu? É. Mas não fica bem ocupar uma página inteira com uma crônica minha. E, sei lá se vai agradar. Então, Lurdinha, economiza. Se bem que ter que escolher as palavras para contar de uma viagem à Itália, está dificílimo.
  Bem, não foi exatamente uma estreia na Itália. Já contamos em verso e prosa as belezas italianas.
  Mas desta vez meu desejo era conhecer melhor Florença. E ir à Siena e San Gimigniano, que todo o mundo já foi. Faltava euzinha aqui. Mas valeu esperar.
  
  Berço do Renascimento, Florença foi o centro cultural entre os séculos 14 e 16.
  A família Medici, nobre do período, cultuava músicos, pintores, arquitetos e escultores que tiveram sua ascenção sob os olhares benevolentes dos Medici.
  Nascia ali também a finesse da arte da gastronomia. Contam que Catarina de Medici era uma verdadeira gourmet, apaixonada pelos sabores da Toscana.
  Gastronomia apadrinhada pelos vinhedos da Toscana, seus queijos, (o Pecorino é uma delícia) seus cogumelos, o popular Funghi Porcini, o Tartufo e as raras trufas. Bem, gastronomia é com eles. A famosa Bistecca alla Fiorentina é patenteada. E o não menos famoso bife feito na brasa? Hum...
  O vaivém dos garçons, sorrindo e assoviando ao mesmo tempo, oferecendo deliciosos antepastos, o Primo Piato, o Secundo Piato, e as etapas seguintes, uma verdadeira guerra a favor das calorias.
  E os sorvetes? Não há como resistir aos sorvetes italianos, que tiram o turista dos monumentos históricos para as pitorescas gelaterias.
  Ainda sobre a gastronomia, é bom reservar umas horinhas para o Mercado Central. Ali descobre-se a alma da Toscana.
  Mais, adorei a Ponte Vecchio. A ponte mais antiga de Florença. Vale um sobe-e-desce pela movimentada rua abarrotada de lojas que vendem ouro, prata e artigos finos e artesanais.
  As fotografias ao redor da ponte ficam belíssimas.
  A Piazza, onde domina o Palazzo Vecchio, é uma galeria de arte a céu aberto. Como não ficar horas frente à estátua de Netuno, admirar as arcadas da Loggia Dei Lanzi, as estátuas de Perseu e O Rapto das Sabinas?
  Seguimos a agenda e o fluxo. O endereço, a Academia de Belas Artes de Florença, a primeira escola europeia a ensinar técnicas de desenho, pintura e escultura.
  O prédio, até meio escondido, meio sem pompa e sem circunstância. Mas a fila do lado de fora, brincando, brincando, dois quarteirões.
  Eu, na fila, louca para ver o David. De novo. Que o Michelangelo não perdoa quem vaia a Florença e não vai ver o seu David. Um colosso. Não tem como ficar indiferente a tal beleza. E o Michelangelo não economizou no mármore. Músculos, bícepes, coxão, barriga de tanquinho, e mais... não vou comentar.
  Bem, falar sobre o Duomo, o Battistero e as mais belas obras de arte ali a céu aberto é falar do que o mundo já sabe.
  Nosso hotel, alinhado, Bocaccio, que se recomenda para amigos, no centro, pertinho da Estação Santa Maria Novella. Uma facilidade para quem opta por viagens de trens.
  Só? Não! Quase vizinhos, a Officina Profumo-Farmacêutica, fundada em 1612, especializada em Produit de Secolare Tradizione, à base de Essência Absoluta de Rosas.
  É considerada a farmácia mais antiga do mundo. O interior elegante, com estatuetas de mármore nos nichos e armários com os mais belos frascos da perfumaria da casa.
  À porta, o aroma já faz os euros se despedirem das carteiras. Atualmente produz perfumaria e água para banhos, para a realeza do mundo afora. Adorei a dica da amiga Fernanda Micheloni Ottoni, que esteve lá.
  Também próximo ao hotel, descobri um gracioso antiquário de arte Florentina. Bandejas, oratórios e pratos para paredes. A arte Florentina faz parte das compras de todo turista que vai à Toscana.
  
  PIUÍ - Deixamos duas malas no hotel, e na Estação tomamos o trem das 8h30 para Siena. Às 10h, o trem apitou na chegada. A medieval e linda Siena, com suas ruelas estreitas, subindo vertiginosamente para o alto entre palacetes e muralhas, me encantou. A grande praça, a Piazza del Campo, no centro histórico, rodeada por edificações milenares, ganha vida com suas mesinhas pelos apinhados bares e gelaterias.
  Hora do almoço. Escolhemos um gracioso restaurante na Piazza Postierla. O Quattro Cantoni. De entrada, um tenro Prosciutto crudo con melone. E Risoto ao funghi. O vinho Brunello estreiou em nossa mesa.
  Já vi muita coisa bonita neste mundo de Meu Deus, mas a Catedral de Siena nos deixou extasiados com sua magnitude, esplendor e luxo. A arte dos pisos, altares e capelas é para se encantar com tanta beleza.
  
  Hora de descer as estreitas ruazinhas. E quem resiste aos belos lenços italianos, imensos? Compro alguns e o táxi nos leva para a pequenina estação. Olha o trem!
  Na plataforma, saída para San Gimigniano. E estou com pressa de chegar lá. E ansiosa. Pela janela vejo passar os campos de oliveiras, sobrados, as parreiras que exalam o aroma dos bons Chianti.
  E meus pensamentos fazem o trem ir mais rápido, atravessar os longos túneis e finalmente parar na bucólica estação. O ônibus parecia estar esperando nossa chegada. Alguns minutos e o grande arco da entrada apareceu.
  Subimos a pé e a Piazza della Cisterna dos meus sonhos estava ali. A Praça que eu queria conhecer e onde, Dio mio, ficava nosso hotel! O Leon Bianco. Lindo, aconchegante.
  Abrimos a grande janela e lá estavam os palacetes terrosos cobertos de heras. Do terraço, a vista para os vinhedos.
  Domingo. Dia de feira na praça. Ombrelones brancos exibiam fatias de javali, pães caseiros, geleias de tartufo e preciosas trufas.
  Escadarias, ruelas, gelaterias. Vinhos, vinhos, vinhos. Precisa mais?
 
 
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