05/08/2021 às 14h54min - Atualizada em 05/08/2021 às 14h54min

A bela e sempre efervescente Munique

Crônicas de viagem do livro "Lurdinha Camillo - Pelo Mundo"

  Voltar a Munique foi um presente. Uma cidade que conquistou meu coração. Para ser mais explícita, Munique desce redonda. Na imensa tulipa de um litro da cerveja encorpada Hacker-Pschorr. Eita nome difícil de falar! Mas alguém precisa falar? Senta-se à mesa e ela é apresentada sem cerimônia alguma.
   Deixamos as malas no hotel Rilano. Novinho em folha, e já rumamos para a Marienplatz. Meu reduto. Que é onde tudo acontece. E que não tem horário. Está sempre cheia de turistas do mundo inteiro. Na mão, garrafinha de água e uma agenda. Porque quero voltar onde já fui e ir onde não conheço.
   Munique é linda. Plana, fácil de se localizar.
   Na Marienplatz, o prédio da prefeitura, o suntuoso Hofbräuhaus, domina o cenário. Em estilo gótico tardio, abriga em espaço térreo, lojas de grife e relojoarias. Dentro, os restaurantes e a HB Hofbräuhaus, com seus arcos, apresentam o cardápio com a estrela da casa, o eisbein, o famoso joelho de porco, e o imenso cachorro quente acompanhado de sauerkraut, que é o chucrute. Mas na Alemanha não existe a palavra chucrute. Afinal, ela é francesa. E é onipresente em qualquer prato. Queira ou não, ela está lá!
   Uma visita gastronômica obrigatória é a Alois Dallmayr, uma diminuta delicatessen que vende tortas e doces bávaros fantásticos.
  
  Dia dedicado ao palacete Nymphenburg, o Palácio das Ninfas. O ônibus de dois andares nos deixou à margem do belo lago, onde reinam os cisnes com suas plumagens brancas e reais. Os jardins, rodeado por estátuas de deusas e ninfas.
   O palacete feito pelo soberano Ludwig I para presentear a esposa Marie Thérese é um dos mais belos cartões postais de Munique.
  A fábrica de Limoges, de 1742, é uma viagem à elegância e luxo da corte.
   No chic restaurante do palacete, com serviço Limoges, eu, Odair e Vichi, nossa guia especializada em turismo, em nossa última estada em Munique, almoçamos lá.
   Imperdível também a Galeria dos Quadros, com 36 retratos a óleo de nobres a burguesas (desde que fossem belas e do agrado do rei, nem um pouco fiel à sua esposa). E o retrato mais famoso é de Lola Montez, dançarina de flamenco e amante do monarca.
   Quando Lola foi agraciada com o título de Condessa de Landsfeld, sobrou para o rei, que perdeu o reinado, a coroa e a cabeça.
   Pelas alamedas do florido jardim, o charmoso restaurante ao ar livre deve ser novidade por lá. Ombrelones brancos, garçons com aventais longos exibem cardápios que os nobres da época, sem dúvida, aprovariam. Enfim, um lugar que deve constar na agenda de todo turista.
  Também para constar da agenda, a belíssima The Asam Church of St. John Nepomucene. Uma obra-prima datada de 1733, um verdadeiro delírio rococó!
  
  Sapato confortável, roupa fresca. Acessórios para passar um dia inteiro na maior festa alemã, a Oktoberfest (a Festa de Outubro), que lá começa em agosto. Fosse no Brasil ninguém estranharia, ficaria por isso mesmo, na república em que a novela das oito começa às nove. Polêmicas à parte, a Oktoberfest é a celebração da cerveja. E alguém falta? Ninguém!
   Obrigatoriedade: comer muito, beber mais ainda, e arriscar a vida nos brinquedos mais malucos e radicais do planeta. Após esses rituais (eu falei brinquedos radicais?), saímos do imenso parque acabados. E prontos para faltar em uma próxima ocasião.
  
  Bem, sobraram umas horinhas? Dá tempo de conhecer o moderníssimo prédio redondo da BMW, imponente, vistoso, com os automóveis fabricados em Munique exibidos em galerias verticais.
   Aiaiai, lá estou eu de novo na Marienplatz. Na grande praça, dar sorte de encontrar uma mesa para dois, é para poucos. Melhor mesmo é dividir uma maior com outros - o que por lá é natural -, pedir uma cerveja e aguardar o famoso relógio dar seu show. As marionetes do alto da torre da Hofbräuhaus, há séculos prendem a atenção dos milhares de turistas que não perdem por nada este espetáculo.
  
  Está a fim de gastar uns euros a mais? Sabe aqueles sobretudos europeus, feitos com lã de primeira e cujo corte jamais sai de moda? Vale uma visita à Loden Frey. O clima é extremamente elegante.
  
  Uma dica: evite viajar a Munique entre dezembro e março. A temperatura pode chegar a 16 graus negativos. E viaje com euros desde o Brasil. Dólares não são aceitos.
 
  Bem, compramos uma cabine no trem noturno para Florença, Itália. E confesso que a ideia de ir à Toscana foi de Tony Ramos. Quer dizer, eu e mais um milhão de turistas brasileiros. Punto e basta!
                                                                                       
       Outubro 2011


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