18/06/2021 às 15h44min - Atualizada em 18/06/2021 às 15h44min

Paranapiacaba - "De onde se avista o mar”

Por Odair Camillo - Jornalista
FOTOS: Reprodução Google
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Em 2009 fui convidado a participar em Paranapiacaba, Distrito de Santo André/SP, do 9º Festival de Inverno daquela charmosa vila ferroviária inglesa. Ao aceitar o convite, vi a oportunidade de, além de rever a cidade onde nasci, entrevistar dois grandes nomes da música brasileira, Lô Borges e Toquinho.
Menos de uma hora da Estação da Luz, e poucos minutos de ônibus, já me encontrava caminhando pela parte alta da vila inglesa, numa manhã gostosa de sábado. O primeiro contato visual foi com a Igreja Bom Jesus, de onde se pode avistar, em dias ensolarados, a enseada de Santos.
Resolvo visitá-la mais tarde e dirijo-me à enorme passarela sobre os trilhos, onde posso captar com minha Nikon algumas imagens do que restou do conjunto arquitetônico da velha estação, encimada por um grande relógio tipo Big Ben.
Por um instante tenho a impressão - como outrora - de ter ouvido o apito do “loco-breque” preparando-se para levar os vagões para o sistema Funicular, e de lá, puxados pelas locomotivas a diesel até a estação de Valongo, em Santos.
 
Mala deixada na pousada, inicio minha caminhada para redescobrir a vila. Numa pequena colina, está o Castelinho, antes habitado pelo engenheiro chefe que controlava toda a movimentação das obras da construção do Funicular na Serra do Mar. Após retirar o meu crachá no setor de Turismo e Cultura, vou visitar o Clube União Lyra-Serrano. Ali, meus pais se conheceram e participaram de bailes, sessões cinematográficas e teatrais.
Fico sabendo que nesse clube funcionou o segundo cinema do Brasil. Chego a um grande pavilhão, com vários bares e restaurantes. Subo a rua Direita onde está o Bar da Zilda, que tem, além de uma gostosa comida, a famosa pinga com “cambuci”, como também uma pequena loja de conveniência onde se encontra quase tudo.
Duas quadras acima, vou rever o campo do Serrano Atlético Clube, de 1903, o primeiro de toda a região do ABCD, formado por ferroviários da São Paulo Railway. Hoje ele é conhecido como Campo de Futebol Charles Miller, onde acredita-se ter sido realizada a primeira partida de futebol com a participação dele, ex-ferroviário e o pai do futebol brasileiro.
Em cada passo, uma recordação. Numa casa de madeira, impecavelmente restaurada, funciona um Centro de Informações. Ao lado, também restaurada, uma loja de artesanato. Ali funcionou por muitos anos um bar e pensão dos saudosos tios Marques e Olívia. Aproveito para visitar o Museu Tecnológico e Ferroviário, onde toda a história da ferrovia está presente. Volto para os salões da Lyra-Serrano, e entrevisto os artistas ícones do movimento Clube da Esquina, culminando com um excelente show.
 
É chegada a hora de partir. O tempo está bom, e nem mesmo o fog londrino, característica da vila, dá as caras neste fim de semana. Arrasto a mala pela ladeira William Speers e chego à igreja. Sento-me num dos bancos para um breve descanso e meditação. Do lado de fora está o cemitério, onde foram enterrados meus avós.
Tenho a impressão de ter ouvido mais uma vez o apito lamurioso da velha locomotiva a vapor. Antes de partir, lanço um último olhar para a vila, que ficou lá embaixo. E prometo voltar mais uma vez para rever as imagens saudosas da minha querida Paranapiacaba.
 Julho de 2009
 

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