12/04/2021 às 16h41min - Atualizada em 12/04/2021 às 16h41min

Pandemia e empatia

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

Atingimos o fundo do poço no Brasil do ponto de vista sanitário, político e econômico. Não existe vacina em número suficiente para todos, executivo e legislativo em todos os níveis não se entendem, a fome se alastra entre os menos favorecidos, empresários desistem de investimentos, pequenos comerciantes começam a fechar seus estabelecimentos definitivamente e o desemprego atinge números estratosféricos. E como diz o ditado: “Em casa que falta pão, ninguém tem razão”. Alguns se defendem afirmando não serem os responsáveis pela propagação do vírus, outros ainda acreditam na “peste chinesa” e uma parcela da sociedade desdenha do vírus furando barreiras sanitárias para se aglomerar e festejar (sabe-se lá que) em reuniões clandestinas.
 
A única razão nesse caos é a ciência tão renegada pelo governo federal, leia-se Jair Bolsonaro - presidente da República, que é comparado internacionalmente aos líderes mais nefastos da humanidade. Ele não só nega os avanços científicos como propaga crises imaginárias para criar nuvens de fumaça e camuflar a realidade que já é desastrosa a todos no país. Enquanto aqui na planície o sentimento é de medo e desespero, no planalto o que impera é o desdém pela vida humana.
 
O vírus é uma realidade e atinge a todos indistintamente. Países ricos são atingidos da mesma maneira que o nosso e o sofrimento nos iguala. O que difere é a falta de um líder, um condutor nas questões sanitárias, políticas e econômicas. O que nos separa é o negacionismo e o desprezo pela condição humana. O caos que aparece nas imagens de hospitais e cemitérios superlotados é a face exposta, aquela que é visível. A oculta é a volta da carestia que leva fome a milhões de brasileiros. Sem a ajuda do Estado já encontramos cidadãos zanzando pelas cidades à procura do que levar para casa alimento à família. Alguém acredita que a ajuda de R$ 150,00 coloca alimentação na casa do necessitado? Só se viver fora da realidade para responder que sim.
 
É uma pena que tenha sido assim, mas essa crise serviu para mostrar que temos o melhor e mais democrático sistema público de saúde do mundo: o SUS (Sistema Único de Saúde). Ele só não é melhor porque nem a elite e alguns governos acreditaram nele, sem falar da constante corrupção noticiada cotidianamente. A grande verdade é que o vírus mostrou que o atendimento pelo SUS é a principal porta de entrada para o atendimento da Covid-19. No SUS, não importa se você tem milhões ou centavos na conta corrente. Se tiver vaga você é atendido. É assim que funciona, ricos e pobres recebem o mesmo tratamento de forma universalizada. Não adianta prefeituras informarem o número de atendimentos ou de mortos separando aqueles que são da cidade dos pacientes da região. Isso é uma falácia que se propõe a justificar a falta de leitos naquela localidade.
 
Em Poços de Caldas, por exemplo, segundo o último boletim, temos um total de 329 mortos pela Covid, mas no boletim é destacado 195. Penso que chega a ser desonesto divulgar a informação desta maneira quando o sistema é universal. Essa postura incentiva acaloradas discussões separatistas, como vem ocorrendo nas redes sociais e não contribui para a solução do problema. Aqui na planície, no chão de fábrica como diz um grande amigo, deveríamos agir diferentemente e celebrar o fato de, ainda, termos leitos e atendimento para todos de forma UNIVERSAL. Está faltando um bom tanto de humanização para o momento tão desastroso que estamos vivenciando. E VIVA O SUS!                
       








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