26/04/2021 às 14h09min - Atualizada em 26/04/2021 às 14h09min

Passamos de 400 mortos na cidade

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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No final de semana que ultrapassarmos o número de 400 mortos pela Covid-19 nos hospitais de Poços parece que o coronavírus desapareceu da cidade. Ontem e anteontem cresceu assustadoramente o número de pessoas sem máscaras circulando pelas ruas e bares, restaurantes e choperias voltaram a lotar. Até parece que a vida retornou à normalidade anterior a março de 2020. Felizes devem estar todos aqueles que defenderam na Câmara Municipal a retirada do projeto que estipulava multa a todo cidadão flagrado sem o uso de máscara. Explicado, portanto, o motivo de a Funerária Municipal ter reforçado seu estoque de caixões. Assim se explica também porque o Brasil se assemelha a Israel em aglomeração nas ruas, a não ser pelo fato que o país do Oriente Médio está com a média de morte próxima a zero e vacinou a imensa maioria da população. No Brasil a média é superior a 3.500 mortos por dia e vacinou somente 14% da população nacional.
 
Doses de afeto
 
Fragmentos do relato de um paciente de ficou 29 dias internado, cinco deles intubado, e venceu a Covid:
- Teve um dia na UTI, antes da intubação, que eu já não aguentava mais; estava desesperado.
- Passou uma enfermeira pela cabeceira do leito e percebeu meu desespero. Ela voltou, segurou a minha mão e falou: “Fique tranquilo, vai dar tudo certo”. Não lembro quanto tempo ela ficou ao meu lado dizendo que tudo daria certo. Só sei que, quando ela soltou a minha mão, eu havia recuperado a esperança.
- Ao ser retirado do tubo e recobrar a consciência, dei de cara com uma médica muito atenciosa que iniciou a conversa dizendo assim:
“O senhor sabe o que aconteceu aqui?” Respondi que sim, que havia piorado e tinha sido intubado. Ela acrescentou: “É isso, mas um pouco mais”.
- “Em certo momento seu pulmão parou de funcionar e perdi o senhor. Mas, por algum motivo o senhor se recuperou e aqui está. Faça bom uso dessa sua segunda chance”.
 
Efeitos do negacionismo
 
“Brasil ultrapassa 390 mil óbitos por Covid neste domingo. Nos primeiros quatro meses desse ano, país ultrapassou o número de mortos de todo o ano de 2020” - Folha - 25/04.
“Mortes aumentam mais de 170,8% em um mês em Mirandópolis (SP), cujo prefeito (PSL) é contra isolamento social e promove tratamento sem eficácia” - UOL - 20/04.
“O enfermeiro Anthony Ferrari Penza, conhecido nas redes sociais por divulgar informações falsas sobre a Covid-19, morreu ontem no Hospital São José, em Duque de Caxias (RJ), em decorrência de complicações da doença” - UOL - 9/04.
“CPF Cancelado, piadas e golpe de Estado. A participação de Jair Bolsonaro no programa "Alerta Nacional", de Sikêra Jr. em Manaus, na semana passada, foi marcada não apenas pela foto do presidente segurando uma placa de “CPF Cancelado” (gíria utilizada por policiais e milicianos), mas também por outras declarações inapropriadas, essas, ao vivo”. - Congressoemfoco - 25/04.
 
O caso do bar da rua Assis
 
Em política diz-se que existe muita gente para dar rasteira e pouca para cair. O caso das polêmicas imagens do prefeito no interior de um bar na rua Assis Figueiredo, acompanhado de um punhado de pessoas que não guardavam distanciamento social nem usavam máscaras, dá bem ideia do que isso significa. Todos os envolvidos querem ter razão. Quem gravou agiu de emboscada e o prefeito estava mesmo num bar logo às primeiras horas da saída da Onda Roxa. Fatos inegáveis. Se quem emboscou e o emboscado se acham com razão em cada um dos comportamentos, só mesmo o tempo da política irá responder. O certo é que “O caso do bar da rua Assis” já entrou para os baixos anais da política poços-caldense, quer seja pela emboscada, quer seja pela infantilidade demonstrada pelo prefeito.
 
Devagar, quase parando
 
Desde o início do ano a represa do Bortolan está infestada de aguapé (planta considerada uma praga) e órgãos municipais ficam restritos a encomendar estudos para saber a motivação do fato. Zero atitude de combate ao fenômeno.
 
A empresa Circullare informou à prefeitura que dia 21 de maio deixará de prestar serviços de transporte coletivo na cidade, após décadas de monopólio. A empresa vencedora da licitação e que ocupará o lugar da Circullare somente colocará seus ônibus em circulação dentro de quatro meses, o que significa que a população poderá ficar desassistida. E a prefeitura demonstra zero interesse em tranquilizar os usuários.
 
Trezentos mutuários saberão hoje que são os beneficiários dos apartamentos do conjunto habitacional Sonho Dourado, concluído há meses. Só não terão conhecimento de quando receberão as chaves. A prefeitura diz que o problema já não é mais dela, os cartórios de registros de imóveis dizem ter concluído a parte que era da sua competência, mesmo argumento da Caixa Econômica Federal. Uma coisa é não existir habitação para abrigar parcela da população, outra bem diferente é empurra o problema um para o outro prejudicando usuários.     



       







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