03/12/2021 às 14h59min - Atualizada em 03/12/2021 às 14h59min

Até parece piada!

Por Odair Camillo - Jornalista
Ilustração: Daniel Pereira Marques
Decididamente, já estou ficando cansado de dar sempre a mesma resposta aos amigos que me encontram pelas ruas, vendo-me manquitolando.
“Nada de grave! Torci o pé numa partida de tênis no último domingo.” Acontece, porém, que alguns não se contentam com a minha lacônica explicação e chegam quase a exigir os “detalhes da fatalidade”.  E aí começa a novela, que também não quero contar aos leitores.
 
Os mais chegados, no entanto, partem para a gozação: “A mulher te acertou desta vez, hein!”.  Mas, na verdade, a fatalidade que muita gente acredita acontecer neste mês de agosto - que também já começo a admitir - pegou-me de calça curta, e a prova evidente é que eu estava realmente usando um calção, muito lógico para um tenista em plena atividade esportiva.
 
O que lamento, no entanto, é de estar agora praticamente alijado da competição. Pelo menos nesta fase de classificação. Quem diria, eu, que já papei de 6 a 0 nossos atuais campeões do Country Club, há muito tempo, é verdade, seria certamente um dos favoritos a disputar o troféu da Copa Itaú de Tênis deste ano, e até com possibilidades de marcar pontos no ranking nacional, ao lado dos nossos já consagrados Tomás Kock e Carlos Alberto Kirmayr.
 
Mas o que mais me deixou magoado é o fato de ter partido de mim a iniciativa de trazer para Poços de Caldas a Copa Itaú, num trabalho de bastidores que se desenrolou por muitos meses, e agora, na hora de competir, oportunidade de mostrar toda minha técnica, ter que contentar-me em unicamente assistir...
 
Creiam que cheguei até a sonhar com esse título de campeão, talvez influenciado pela novíssima raqueta comprada especialmente para esse torneio. E no pódio de minha imaginação, sempre rodeado de belas tenistas e de gente famosa, eu recebia do meu amigo Amorim, Diretor de Marketing e Promoções do Itaú, o troféu de ouro e um abrigo personalizado da Adidas como parte dos prêmios, sem contar com os dólares creditados em minha conta corrente na agência local.
 
Bem, tudo não passou realmente de um sonho. Mas de uma coisa estou certo. Vou usar da mesma tática utilizada pelos nossos dirigentes e jogadores da Seleção Brasileira de Futebol na última Copa do Mundo. Vou reivindicar também o título de “Campeão Moral da Copa Itaú de Tênis” deste ano. E aguardar que os patrocinadores pelo menos me presenteiem com um “training” bem vistoso, já que o INAMPS certamente não vai me ressarcir dos prejuízos neste “acidente” de trabalho.
Até a próxima Copa!
 
NOTA: Para minha surpresa, passados alguns dias, recebi como presente o abrigo personalizado da diretoria do Banco Itaú
 
 
Do livro “Crônicas em Concordata” - Agosto 1982

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