12/11/2021 às 15h16min - Atualizada em 12/11/2021 às 15h16min

A primeira viagem de avião, não se esquece

Por Odair Camillo - Jornalista
A paixão pela aviação é de longa data - na foto, Lurdinha e Odair observam um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, durante lua de mel

Talvez pela minha intimidade ao longo dos anos com inúmeros tipos de aeronaves, a princípio viajando pelo Brasil nos saudosos Boeings 737 até os moderníssimos Airbus A380, cruzando os cinco continentes como jornalista de turismo, a experiência de um verdadeiro primeiro voo deva ser objeto desta crônica. Mas seria injusto omitir que meus primeiros voos foram feitos aqui, no “Campo da Aviação”, ao lado de pilotos amigos, principalmente o instrutor Lara, que proporcionou-me conhecer os céus desta maravilhosa Poços de Caldas, pilotando os teco-tecos, paulistinhas, e aviões de médio porte.
Embora não seja supersticioso, na minha primeira viagem de avião comercial que fiz de Belo Horizonte a Florianópolis, num Boeing 737 da VASP, procurei entrar na aeronave com o pé direito, hábito este que conservo até hoje, mesmo quando recentemente viajei num A-380 da Emirates, um dos maiores do mundo, de Dubai a Hong Kong.
No 737 daquela época, uma aeromoça me aguardava à porta. Apresentei o tíquete com o número do assento, e ela indicou-me a fileira em que o mesmo se localizava. Após ajeitar minha pasta e outros objetos da esposa no bagageiro, logo acima da minha poltrona, já assentado ao lado de Lurdinha, comecei a admirar o tamanho, a configuração dos assentos, e a grande tela de TV.  À minha esquerda um americano lia atentamente a revista Time. Do outro lado, minha esposa folheava a Manchete. Entre os dois, tentando abrir o jornal, senti dificuldade em manuseá-lo, permitindo-me ler unicamente a frente e o verso.
 
Cruz credo, Ave Maria! - Logo em seguida, o comandante deu as boas-vindas e as instruções de praxe, enquanto uma comissária ia fazendo as demonstrações práticas de como utilizar-se dos instrumentos de emergência. Uma senhora que estava sentada logo à frente, aproveitou para persignar-se: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”, proferindo as palavras bem baixinho. “Cruz, credo, Ave Maria”, pensei comigo, lembrando neste instante de minha sogra, muito carola, quando se achava em perigo, ou mesmo assustada, apelava aos seus santos preferidos com estas palavras.
Em seguida o comandante levou a aeronave até a cabeceira da pista, deu as últimas informações, pôs toda a potência dos motores e começou a deslizar rapidamente pela pista, decolando minutos depois para atingir finalmente a altitude de cruzeiro. Nada de causar pânico ou mesmo de assustar-me com a primeira turbulência que aconteceu durante o voo. Como se dizia antigamente, naquela manhã o céu estava “de brigadeiro”.
Uma hora depois, era servido pelas “aeromoças” um gostoso lanche, em pratos de louça branca, copos de vidro e talheres de aço inox, com opção de água, refrigerante ou até mesmo uma taça de vinho. Atualmente, conforme a companhia aérea, o lanche na Classe Econômica não passa de um sanduiche quente, snacks e um copo de Coca-Cola.
 
Pressionando o flush - Estômago saciado, revista e jornal já lidos, nada de mais importante a fazer. Enquanto Florianópolis não chega, era hora de conhecer o lavatório do avião. Ao chegar à porta, o sinal estava verde. Forcei o centro dela e a mesma se abriu. Já dentro, percebi ao fechá-la que o trinco interno deveria ser levado completamente para a esquerda para que a luz interna fosse acesa. A “área de serviço” era realmente pequena. Ainda bem que sou normal. Ajeitei-me com dificuldade. Serviço concluído, pressionei o botão do flush e levei um susto. Alguém já havia me advertido desse moderno mas barulhento sistema de descarga sem a utilização de água. Gostei. Após a higienização da boca, penteei a vasta cabeleira e coloquei as toalhas de papel usadas no seu devido lugar, pressionei mais uma vez o flush para certificar-me que aquele barulho ouvido anteriormente era normal. E era!
               
 
Odair Camillo - Fevereiro de 1979

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