29/10/2021 às 14h52min - Atualizada em 29/10/2021 às 14h52min

“Que tal um programinha?”

Por Odair Camillo - Jornalista

Uma crônica encomendada por um comerciante, quando teve, na época, a ideia de lançar em Poços de Caldas uma lanchonete tipo Drive-in, ainda novidade em 1984 nas capitais brasileiras
 
Acabo de ser convidado para conhecer, e consequentemente reportar, a mais recente novidade em termos de lanchonete especializada em oferecer seus serviços principalmente a casais de namorados que gostam de curtir uma boa música, ótima comida, selecionadas bebidas e o que é principal, segurança, sem que precise sair do carro.
Aliás, isso não é novidade para ninguém. Todo mundo, até mesmo o leitor, se nunca participou, pelo menos já leu ou ficou tentado a usufruir dessa mordomia que agora chega à nossa cidade.
Esse tipo de serviço, mais conhecido como “Drive-in” existe há muito tempo em cidades maiores, embora, na sua maioria seja usada para outros fins, cujo mérito aqui não me cabe discutir.
 
Bem, se vai funcionar aqui na terrinha, isso nem se discute, pois eu próprio, veja que audácia, já estou pensando em convidar minha cara-metade para fazer ali um programinha. Se ela vai aceitar, isso não sei, mas que vou tentar, vou.  Uma das exigências, para não dizer necessidade, é que os fregueses possuam automóvel e que sejam de sexos opostos. Caso contrário, vai pegar mal...
Você já imaginou dois marmanjos dentro de um carro, alta madrugada, sob a luz do luar, quietinhos, mastigando um cheese ou saboreando aquele beirute? Pode dar o que falar...
Mas, com toda essa inovação, começo a lembrar-me dos áureos tempos, quando possuir um automóvel - privilégio unicamente dos ricos - já era um fato inédito, quanto mais sair com a namorada no próprio. No mínimo, tinha que carregar a sogra de estepe.
Também tinha uma coisa. Uma das vantagens que se levava naquela época era que os bancos dianteiros dos carros eram inteiriços, possibilitando assim, um maior aconchego familiar. Atualmente a esportividade dos veículos fez com que os assentos dianteiros passassem a ser individuais, com a alavanca de câmbio entre eles.
 
Mas o brasileiro sempre arranja um jeitinho, especialmente se a namorada for generosa. E foi certamente dessa época em diante que começou a grande crise do petróleo no Brasil. E a explicação só pode ser esta. É um tal de mudar de marcha do veículo sem que haja necessidade. Obviamente, acarretando um consumo de combustível bem maior. Mas dizem por aí que vale a pena. Eu que o diga.
 
Agora, vou sugerir ao proprietário do Drive-in que, para complementar o serviço, que coloque um telão e exiba qualquer filme. Não precisa ser um “lançamento”. Da Greta Garbo ou até mesmo do tempo do cinema mudo. Enfim, a maioria das pessoas que ali frequentar, certamente pouco se importará com a qualidade da película. O que realmente os fregueses vão querer naquele local é comer. E comer bem. E isso tenho certeza que o farão. Afinal, já me contaram que o turco proprietário é um perfeito “mestre Cuca”. Vamos lá para conferir?
 
 
Do livro “Crônicas em Concordata” - Junho de 1984

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