17/09/2021 às 17h40min - Atualizada em 17/09/2021 às 17h40min

Macau - a China de origem portuguesa

Jornalista Odair Camillo com João Sales, na época de nossa visita ao feérico destino turístico, public relation executive do Macau Government Tourist Office

Há passeios imperdíveis em Macau, antiga colônia portuguesa na costa sul da China continental. A arrecadação dos cassinos ultrapassou a de Las Vegas, tornando Macau o principal centro mundial da indústria do jogo
 
Depois de assistir pela TV a uma reportagem sobre Macau, um dos distritos da rica e populosa região de Cantão, na China, comecei a estudar a possibilidade de conhecê-la, para depois divulgá-la. Para tanto precisaria, como de costume, do apoio de um órgão governamental para a viagem, o que não foi difícil. Após contatos com o Macau Government Tourist Office, através de seu public relation executive João N. Sales, a viagem foi agendada.
Na data prevista, chegávamos, Lurdinha e eu, ao Macau Ferry Terminal, num moderno catamarã, vindos de Hong Kong, percorrendo a distância de 60 km em exatamente uma hora de viagem.
O simpático macauense Sr. João Sales, nosso guia de origem portuguesa mas com traços fortemente chineses, estava à nossa espera no hall do terminal. Depois de deixarmos nossa bagagem com o motorista numa van Hyundai, iniciamos um passeio a pé nas imediações do porto e do Centro Histórico de Macau.
Não era o meu caso, mas existem vários motivos pelos quais os visitantes são atraídos para Macau. O mais conhecido: os cassinos, uma vez que a cidade é várias vezes maior do que Las Vegas em termos de receita de jogo.


As primeiras fotos na minha Nikon foram direcionadas a um grupo de pescadores que transportava e separava numa grande bandeja, belíssimos exemplares do pescado e de outras espécies. Acompanhado por Sales, iniciamos uma caminhada por ruas estreitas e construções antigas da cidade, chegando ao sopé de um morro, logo na entrada, um belíssimo templo, abrindo para um bonito jardim. Eles nos informou que os jardins em Macau são uma extensão da casa dos macauenses.
Mais adiante, chegávamos ao Jardim Luís de Camões, situado na Praça de Luís de Camões, junto à Igreja de Santo Antônio. O local foi criado em meados do século 18, como jardim anexo à mansão de um rico comerciante português, tendo sido, anos mais tarde, arrendado à Companhia Britânica da Índia Oriental, que instalou a sua sede no palacete. No jardim, existe um busto de bronze do maior poeta português dentro de uma gruta constituída por três grandes rochedos facetados. Este busto, de 1866, tem em seu pedestal gravadas as estâncias I, II e III do Canto I dos “Lusíadas” e na parte de trás a sua tradução em chinês. Segundo os historiadores, Luís de Camões passou ali mais de dois anos, onde escreveu grande parte de sua famosa obra literária. Saindo do belo jardim, logo abaixo chegávamos a uma bonita praça, bem arborizada, com um relógio que marcava quase o meio dia.
 
Ruínas de São Paulo, a atração maior da cidade

Chegamos, finalmente, ao point turístico mais famoso da cidade, as Ruínas de São Paulo. Estas ruínas são formadas pelo conjunto de construções que havia no local, constituído pela fachada da antiga Igreja da Madre de Deus, construída entre 1602 e 1640, e as ruínas do antigo Colégio de São Paulo, que ficava localizado ao lado da igreja, ambos destruídos por um incêndio em 1835. Em conjunto, a antiga Igreja da Madre de Deus, o Colégio de São Paulo e a Fortaleza do Monte eram todas construções jesuítas e formavam um conjunto que pode ser identificado como a “Acrópole” de Macau.
A fachada das Ruínas de São Paulo mede 23 m de largura por 25,5 m de altura, estando dividida em cinco níveis. Ela é de estilo maneirista, incorporando alguns elementos decorativos tipicamente orientais que incluem imagens bíblicas, representações mitológicas, caracteres chineses, crisântemos japoneses, um barco português, vários motivos náuticos, leões chineses, e estátuas de bronze com imagens dos santos jesuítas.
Atualmente, a fachada de São Paulo funciona simbolicamente como o altar da cidade.
 
Caminhando pelo Centro Histórico

 
Saindo da praça onde estão as ruínas, logo abaixo estão as várias ruas centrais, onde se concentra a maioria dos turistas. Ali estão os bares, restaurantes e lojas comerciais. No bonito Largo do Senado, que é formado por prédios históricos como a Santa Casa de Misericórdia e algumas igrejas, todo o calçamento é trabalhado em pedra portuguesa, a mesma que tornou famosa a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No Largo há também um escritório de informações turísticas, onde se pode obter um guia informativo e mapa com as melhores rotas para o passeio a pé pelos prédios históricos.
O gostoso do Largo do Senado é caminhar nas Ruas da Felicidade ou nas Avenidas Almeida Ribeiro e Horta e Costa. Há vários restaurantes com excelente gastronomia chinesa popular. São doces, petiscos e outros alimentos que parecem estranhos aos olhos dos ocidentais, mas são deliciosos. Além disso, é possível provar coisas exóticas, como barbatana de tubarão.
Macau também pode ser um paraíso para os que apreciam comida portuguesa. Há vários restaurantes onde se pode comer e beber à lusitana, sem gastar muito.
 
A boa gastronomia portuguesa, com toque oriental
 
Como já era hora do almoço, João Sales nos conduziu ao bonito e espaçoso restaurante do Clube Militar, atualmente aberto também à população e aos turistas que visitam Macau. O restaurante oferece a cozinha básica portuguesa, com alguns pratos de influência oriental.
Há uma dezena de restaurantes portugueses na cidade Por exemplo, é possível tomar o típico caldo verde ou comer amêijoas com chouriço e azeitonas. Há vários pratos de carne, como o cozido à portuguesa ou carne de porco à alentejana.
Os chineses, que adoram pato e porco, costumam apreciar o arroz de pato ou ainda o leitão assado. Os pratos de bacalhau são indispensáveis e obrigatórios em todos estes restaurantes. Entre as inúmeras maneiras de cozinhá-lo, há o bacalhau à Gomes de Sá, o bacalhau com natas ou ainda o bacalhau assado na grelha. Quase todos os restaurantes são simples, elegantes, com uma atmosfera nostálgica, e grande parte deles tipicamente portugueses.
Logo após o almoço, ele nos deixou em nosso hotel, o Sofitel Macau at Ponte 16, onde repousamos o resto da tarde, com direito à sessões de massagem gentilmente oferecidas pela gerência.
 
Quando a noite cai, Macau é um brilho só!

 
No início da noite, nosso guia nos esperava no hall do hotel para um passeio noturno pelo centro, agora com seus prédios públicos e cassinos feericamente iluminados em neon. Escolhemos o Cassino Lisboa para conhecer. É o mais antigo e famoso da cidade, com uma emblemática arquitetura em formato de flor de lótus. Logo no hall de entrada, se tem uma ideia do investimento que ali foi feito. Entramos para apreciar todo o requinte do seu interior, cheio de estátuas e lustres altamente refinados. Protegidos por uma grande vitrina envidraçada, muitas obras orientais que fazem parte da coleção particular de seu proprietário. Para acessar a área de jogos é preciso pegar o elevador ou várias escadas rolantes. Deixamos para a noite seguinte.
A arrecadação dos cassinos ultrapassou a de Las Vegas, tornando Macau o principal centro mundial da indústria do jogo. Este enorme crescimento econômico jamais visto anteriormente, trouxe muitos benefícios para a região.
 
Visitando o complexo City of Dreams
 
Do outro lado da cidade está Cotai, uma enorme área aterrada entre as ilhas da Taipa e Coloane, e onde está a maioria dos cassinos e o complexo City of Dreams, que abriga os hotéis Crown Towers, Hard Rock Hotel, Venetian, Grand Hyatt Macau - e que tem como atração, além dos cassinos, o maior espetáculo de água do mundo: The House of Dancing Water. O show foi lançado em setembro de 2010 e já havia recebido quase dois milhões de espectadores.
Considerado o show de águas mais espetacular do mundo, criado por Franco Dragone, showmaker internacional, é a grande atração de Macau. O show tem um efeito-teatro, concebido com muitos avanços tecnológicos e uma piscina que detém um recorde de 3,7 milhões de litros de água, o equivalente a cinco piscinas olímpicas.
Este sistema de teatro de última geração conta a história de amor e uma espetacular viagem através do tempo, mostrando fatos, acrobatas e diversos efeitos especiais nunca antes visto em um teatro. Vale a pena assisti-lo!
 
Há passeios imperdíveis em Macau. Fomos conhecer o famoso Templo de A-Má que, segundo Sales, é tão antigo quanto a existência de Macau, e acredita-se que esse nome tenha derivado do chinês “A-Ma-Gau”, que significa “Baía de A-Má”, onde está situado. Ele é composto pelos pavilhões do Pórtico, das Orações, da Benevolência, de Guanyin e o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin, além do Arco Memorial, cada um contribuindo para este conjunto bem ordenado, em perfeita harmonia com o ambiente natural. São cinco pavilhões cercados de áreas verdes, cada um reservado ao culto de uma divindade, mostrando a tolerância entre as crenças daquela época. Essas estruturas foram construídas em épocas diferentes e a mais antiga data de 1488, tendo a configuração atual sido finalizada em 1828.
 
O melhor ponto de observação sobre a cidade é a partir do topo da Torre de Macau, com 338 metros, onde existem decks de observação e restaurantes, além de várias atividades de aventura. Se você for realmente corajoso, pode aproveitar o maior salto bungy comercial do mundo. Lá de cima, pode-se ver que Macau é, realmente, um destino maravilhoso.
Abril 2015

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