03/09/2021 às 15h15min - Atualizada em 03/09/2021 às 15h15min

Na Disney World, pilotando um carro da Nascar a 240 km/hora

Por Odair Camillo - Jornalista
FOTOS: Reprodução Google

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Num final de semana de fevereiro de 1996, cheguei a Orlando, na Flórida, mais especificamente à cidadezinha de Winter Park, localizada dentro do complexo Walt Disney World, para conhecer o novo autódromo de Orlando que havia sido inaugurado no mês anterior. Essa visita fazia parte de um projeto de divulgação da nova atração turística oferecida aos apaixonados por velocidade.
E eu era um dos jornalistas de turismo convidados pela Disney para conhecer o complexo, e depois divulgá-lo no Brand-News.
A nossa função consistia em, além de conhecer todo o complexo turístico, pilotar um carro de corrida da Nascar, principal categoria de automobilismo nos Estados Unidos, evidentemente acompanhado de um copiloto profissional posicionado ao lado, coordenando e instruindo todos os procedimentos para dar três voltas, não tão rápidas, no imenso circuito oval conhecido como “Richard Petty Driving Experience”.
 
Eu havia chegado de New Orleans no dia anterior, onde ficara hospedado por três noites num hotel do French Quarter, para a cobertura de um evento de turismo que estava acontecendo naquela cidade. Mas New Orleans é uma cidade peculiar, cativante. Uma encruzilhada de diferentes mundos que se encontraram para se transformar num dos melhores destinos turísticos dos Estados Unidos. É uma América um tanto diferente. Das raízes francesas, com toques caribenhos e forte influência negra, floresceu uma cultura autêntica, uma gastronomia peculiar, e uma musicalidade pouco vista em outros lugares do mundo.
E certamente, a agitação da Bourbon Street, embalada pelo ritmo e ao estilo Dixieland, uma festa inesquecível para os apreciadores da boa música, após um dia inteiro de trabalho, fez com que eu perdesse a noção do tempo e tenha ficado em New Orleans, um dia a mais do que havia agendado.
 
Ao chegar ao autódromo de Orlando, percebi que estava sozinho, sem a presença dos demais colegas jornalistas também convidados para conhecer aquele complexo. Foi quando me informaram que a apresentação do novo empreendimento da Disney e a experiência de pilotar um carro de corrida da Nascar naquele autódromo havia sido realizada no dia anterior.
Lamentei e me desculpei por essa falha imperdoável e, quando já estava prestes a deixar o local, um dos responsáveis pelo empreendimento disse da possibilidade de eu, ao invés de pilotar o bólido, que seria necessário pelo menos uma hora de preparação para a largada, poderia participar como copiloto, sentindo evidentemente um pouco menos da sensação de correr a mais de 200 km/hora.
Aceitei na hora o desafio. Não poderia perder jamais essa oportunidade que, certamente, nunca mais aconteceria.
 
 
Preparando para a largada ao lado do piloto
 
Tudo resolvido, e bom para ambas as partes, fui levado a uma sala especial onde um instrutor, depois de verificar minha documentação, inclusive a validade da carteira de habilitação, entregou-me um macacão especial com o logo da Nascar, um capacete, a pescoceira e um cinto de segurança especial, mesmo sabendo que eu participaria como copiloto, e pediu-me que os vestisse na sala ao lado.
Quando retornei, ele concluiu as informações, acrescentando que, como os carros não são nada confortáveis, nem possuem tamanha tecnologia de amortecimento, dentro deles você realmente sente a real velocidade na pista. E era exatamente por essa falta de conforto que os preparativos para andar nessas máquinas são maiores.
Depois desse cursinho de 20 minutos, fui conduzido até o “bólido” que estava preparado para largar. Quando me aproximei, o instrutor mandou que entrasse no carro. Fiquei espantado ao ver que o mesmo não tinha a maçaneta externa e nem a porta para adentrá-lo. Era uma peça só. Foi quando ele deu uma risadinha marota e me informou que deveria entrar pela janela do veículo. Com alguma dificuldade, primeiramente enfiei as pernas pelo pequeno vão e, com o auxílio deles, o resto do corpo que, finalmente se acomodou no banco duro e desconfortável, mesmo para uma trajetória prevista de aproximadamente cinco minutos.
Em seguida, o preparador iniciou o processo de afivelamento dos cintos de segurança. Além daquele que recebi quando me preparava para vestir o macacão, havia outro afixado no veículo.
Depois de “acorrentado” junto ao banco, ele puxou de cima sobre a janela, uma espécie de rede quadriculada de pescaria, mas bem reforçada, afixando-a em baixo a fim de que, num eventual acidente, evitaria que eu fosse atirado para fora do carro.
Por um momento, senti-me enjaulado dentro da possante máquina, mas pronto para realizar uma das maiores aventuras da minha vida.
 
Finalmente, a hora H chegou
 
Um jovem piloto entrou e assentou-se no seu cockpit. Preparou-se e disse-me que, caso houvesse algum problema, que fizesse o aceno com o dedo polegar. Quando o possante motor foi acionado, o barulho interno ficou ensurdecedor. Ele acelerou por várias vezes, testando sua potência até que, quando verificou que o giro do motor chegara ao ponto ideal, soltou o pedal da embreagem e avançou rapidamente para dentro do circuito. Com o impacto, embora todo imobilizado, mesmo assim tive a impressão de ser arremessado para trás.
A sensação é surpreendente, apesar de um pouco nauseante para quem não está acostumado com as tomadas bruscas a mais de 200km/h. A velocidade é tanta, e tão rapidamente alcançada, que aquele que não é adepto a trancos e freadas, não deve se habilitar.
Foram três voltas inesquecíveis no circuito oval de Orlando. Ao sair do carro, naturalmente agora com maior dificuldade, o pessoal da Disney já estava preparado para eternizar o momento com algumas fotos e um vídeo. E eu, não vendo a hora de retornar ao Brasil, para mostrar aos amigos, familiares, e principalmente aos filhos e netos, que a profissão de jornalista não é tão fácil e como se pensa.
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