20/08/2021 às 16h57min - Atualizada em 20/08/2021 às 16h57min

Quase encontrei-me com o rei da Espanha em Saint Augustine, na Flórida

Flagger College, a grande atração da pequena cidade americana
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Das inúmeras viagens que fizemos aos Estados Unidos, a que marcou-me profundamente foi a de Saint Augustine, cidadezinha de 13 mil habitantes na costa norte da Flórida, situada cerca de 170 quilômetros de Orlando, trajeto que se faz em pouco mais de uma hora de viagem por excelente rodovia. Estávamos num grupo de jornalistas brasileiros, tendo como guia o experiente Augusto Ferreira, diretor de Relações Públicas do Visit Florida, entidade que divulga o “Sunshine State” em vários países do mundo.
Logo que saímos de Orlando, confortavelmente alojados numa van da própria entidade turística, fomos surpreendidos à entrada da rodovia principal por uma colisão lateral com outro veículo, exatamente na área onde eu estava sentado, num dos bancos traseiros da van. Apesar do barulho provocado e o impacto ter danificado externamente aquela parte do veículo, felizmente nada de grave aconteceu comigo.
Depois de algum tempo parados na estrada para avaliar o que havia acontecido, retornamos a Orlando para registrar a ocorrência e trocar de veículo, uma vez que o motorista da camionete causador do acidente, talvez sem perceber o que havia feito, prosseguiu a sua viagem como se nada houvesse acontecido.
Duas horas depois, chegávamos com outra van no Distrito Histórico de Saint Augustine, onde se localizava nosso hotel, o Casa Monica Resort & Spa, um belíssimo empreendimento que ocupa um edifício em estilo mourisco, datado de 1888, restaurado em 1999, e que mantém ainda hoje uma estrutura muito bem conservada.
 
Saint Augustine é a cidade mais antiga dos Estados Unidos, fundada em 28 de agosto de 1565 pelo explorador espanhol Pedro Menéndes de Avilês, como o primeiro assentamento permanente do território americano. A cidade conta ainda com inúmeras construções com mais de 300 anos e está repleta de atrações turísticas para toda a família. As ruas arborizadas, floridas, e a magnífica arquitetura espanhola no Distrito Histórico são algumas das atrações que remetem à sua história e se concentram nessa área antiga da cidade.
Em 1695 os colonos espanhóis construíram ali o Castillo de San Marcos, a maior fortaleza de alvenaria dos Estados Unidos, utilizando uma pedra local chamada coquina que, segundo o próprio almirante Pedro Menéndes, absorvia a explosão das bolas de canhão em vez de ruírem.
Bem próximo está um monumento nacional, o Fort Matanzas, localizado ao sul, enquanto, ao norte da cidade, os visitantes encontrarão o Fort Mose, que, na década de 1720 abrigou escravos ingleses fugitivos e foi o primeiro assentamento negro livre nos EUA.
Nas proximidades vamos encontrar a The Old Jail, prisão construída em 1891 pela mesma empresa que mais tarde construiu Alcatraz, e que abrigou 72 presos em celas lotadas sem encanamento interno até 1914.
 
Em termos de arquitetura, o Flagger College é a grande atração da cidade. O prédio foi no passado um hotel, mais tarde uma base da marinha americana e hoje abriga uma universidade. Ele tem uma estrutura incrível e é um dos prédios mais visitados da Flórida. Leva o nome de Henry Flagger, fundador de Palm Beach, cidadão que deu uma enorme contribuição para o desenvolvimento de toda a costa leste da Flórida. Numa velha ferraria, relembrei meu passado como ferreiro.
 
   
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LEMBRANDO OS TEMPOS DA FERRARIA -
Após o city tour liderado por Augusto, ele nos liberou para que caminhássemos livremente pelas ruas, sempre repletas de turistas, e escolhêssemos os locais de nossa preferência para uma possível entrevista. Foi quando resolvi entrar numa velha oficina de ferreiro - uma réplica de uma ferraria que ali existiu há mais de um século - onde estava um forte senhor, aparentando ter mais de 70 anos, que batia com um martelo sobre a ponta de um pedaço de ferro sobre uma bigorna. Ele estava protegido por um avental de couro corroído pelo tempo para protegê-lo das faíscas de fogo vindas da forja a carvão, alimentada por um fole, que ele mesmo acionava com o pé.
Quando o ferro colocado entre as brasas estava vermelho ou quase no ponto de fusão, ele o levava para a bigorna e, com um martelo, moldava o mesmo em forma de ferradura que, depois de pronta, seria cravada nas patas dos cavalos.
Quando ele finalizou seu trabalho - a que eu pacientemente assisti por quase 15 minutos -, conversei longamente com ele, contando-lhe que eu, quando ainda jovem, trabalhei com o meu pai, um ferreiro rústico mas não tão forte quanto ele, que além de fazer as ferraduras para os animais, criava objetos de ferro ou aço forjando o metal, e que ainda fazia carroças, charretes e quase tudo relacionado a uma ferraria da época.
 
Não pretendendo me alongar no assunto, já que na minha agenda havia ainda muita coisa para se ver naquela inesquecível cidade americana - deixei de contar-lhe que, com o passar do tempo e com a diminuição desse tipo de trabalho - uma vez que as carroças e cavalos desapareciam das cidades - meu pai e eu, já como sócios, passamos a fabricar feixes de molas para todos os tipos de veículos. Um trabalho, certamente, muito mais exaustivo e difícil, mas de um futuro mais promissor!

A visita do rei e da rainha da Espanha
 
No último dia de nossa estada em Saint Augustine, após o café da manhã servido no restaurante do Casa Monica, Augusto nos comunicou que deveríamos deixar o hotel e prosseguirmos nossa viagem a Jacksonville, nosso próximo destino na costa da Flórida.
Naquela data aconteceria a primeira visita do rei Felipe VI e sua esposa Letizia à Saint Augustine, e eles ficariam hospedados no nosso hotel.
Essa visita coincidiria com o 450º aniversário da fundação da cidade, reforçando os laços de amizade entre os povos americano e espanhol.
Realmente, quando estávamos deixando o hotel, observamos que toda a área que o circundava estava interditada com cavaletes e faixas alusivas à visita do rei, e uma enorme bandeira com as cores espanholas estava hasteada na bonita praça, tremulando ao lado da bandeira americana.
Início 2001
 

 
 

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