09/07/2021 às 16h38min - Atualizada em 09/07/2021 às 16h38min

Em Nova York, a primeira vez que tivemos contato com a neve

Por Odair Camillo - Jornalista
Reprodução Google
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Lembro-me perfeitamente a primeira vez que visitamos Nova York. Era no finzinho de outono de 1980 e os primeiros flocos de neve começavam a cair sobre a cidade. Chegamos ao tradicional Milford Plaza Hotel, onde já tínhamos a reserva, localizado no coração de Manhattan, por volta do meio dia, vindo diretamente de uma viagem a Saint Barths, uma ilha francesa conhecida como uma das mais charmosas do Caribe, que mistura a beleza caribenha com a sofisticação europeia e onde o sol estava ainda imperando, na marca dos 32 graus.
A primeira coisa que queríamos fazer era telefonar para os filhos no Brasil. Na época, era praticamente impossível fazer a chamada do quarto do hotel. Desci até a recepção e me informei. O funcionário pediu-me o cartão de crédito ou que fizesse um depósito de US$ 100 dólares cash. Como na época quase não existia o dinheiro de plástico no Brasil, tive que depositar a “fabulosa quantia” - cujo saldo, se houvesse, seria devolvido no check-out.    
Concluída a ligação, saímos para explorar a Capital do Mundo, como já era chamada na época.
 
Os anúncios luminosos em neon atraíam nossa atenção
 
Agora, estávamos enfrentando um friozinho de aproximadamente 9 graus, e com possibilidade de chuva e neve, conforme previsões para o dia seguinte. Mas isso não seria problema. Estávamos preparados! O movimento àquela hora era intenso. Enquanto caminhávamos pelas ruas e avenidas, sempre tomadas por muitos turistas e locais, observávamos seus enormes edifícios, cada um competindo em altura e beleza com o outro, para mostrar a sua importância e poderio econômico. As lojas, bares e restaurantes já tinham suas tabuletas e anúncios coloridos com letras e filetes em neon, acesos àquela hora do dia para atrair os fregueses. E, à medida que chegávamos mais próximos da Time Square, o volume de informações nesse tipo de publicidade aumentava. A famosa praça estava toda iluminada, feérica, deslumbrante.
O jantar daquela noite foi numa pizzaria próxima ao hotel. Expostas numa vitrine envidraçada e aquecida, você poderia escolher o pedaço desejado. Pela primeira vez tive a oportunidade de saborear uma pizza com borda recheada.
Na manhã do dia seguinte, ao afastarmos as grossas cortinas da janela do nosso apartamento, os primeiros flocos de neve eram avistados sobre o telhado dos prédios vizinhos. E foi uma correria. Após o café da manhã, em poucos minutos estávamos saindo à rua para ter a sensação, ao lado de outras tantas pessoas, o prazer de tocar e sentir como se algodão fosse, a sua textura macia e gelada que caía mansamente sobre nosso corpo, embora agasalhado e protegido.
Em poucos minutos, o chão parecia um imenso lençol muito branco, estendido carinhosamente sobre a rua, cobrindo o asfalto negro e bruto, com que são pavimentadas as ruas e parques da grande metrópole. Mas o espetáculo não durou muito tempo. Por volta das 11h, alguns raios de sol surgiram no céu cinzento, anunciando que a partir daquele momento, ele, o astro rei, iria imperar. E que, possivelmente, o espetáculo da neve só voltaria no dia seguinte. E foi o que aconteceu!

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