27/04/2021 às 16h40min - Atualizada em 27/04/2021 às 16h40min

Euforia e tristeza

Marcos Cripa - Jornalista/ mcripa@uol.com.br
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Na tarde desta terça-feira (27/04), fui vacinado contra o coronavírus. Uma alegria imensa, uma grande emoção sentir a picada da agulha no braço esquerdo, o líquido escorrendo dentro dos músculos e eu pensando no quanto a ciência correu atrás de uma solução em tempo recorde para combater a covid. Confesso, tremia de emoção. Num lapso de segundos pensei nos cientistas, nos operadores que envasaram, nos carregadores, nos pilotos de avião e motoristas que trouxeram a vacina até a Unidade Básica de Saúde (UBS) Jd. Country Club, na zona Oeste de Poços de Caldas. O que falar, então, das atendentes, enfermeiras e todos os funcionários da Secretaria de Saúde envolvidos na operação! Só agradecimento. Não apenas pela aplicação da vacina, mas também pela atenção, carinho, dedicação e cuidado com o cidadão. Virei jacaré com muito orgulho do Sistema Público de Saúde e da Ciência (assim mesmo, com C maiúsculo).
Juro que não queria ter esse sentimento que vou relatar, mas sou assim, me compreenda. Logo minha alegria se desfez. Cheguei em casa e busquei o número de pessoas vacinadas no Brasil: algo próximo de 30 milhões. Entendo, já é um alento, mas é muito pouco. E os outros 190 milhões que ainda não foram vacinados e nem sabem quando receberão o imunizante? Não consigo ser inteiramente feliz quando a esmagadora maioria do povo sequer sabe quando será vacinada. Meus amigos e amigas, meus filhos e os seus, minha neta e a sua, afinal quando terão a oportunidade de ir ao posto de saúde e entender o que é a felicidade de receber a tão esperada vacina contra a covid? Não temos a menor ideia do que vai acontecer tendo um (des)governo que faz galhofa e zomba da doença, um (des)governo que acha normal cancelar o CPF das pessoas quando sabe que a expressão significa a morte.
Chegamos, lamentavelmente, ao número de mais de 392 mil mortos, quase 15 milhões de pessoas infectadas, e o governo federal insiste em brincar com a doença e a nos insultar diariamente. Reside exatamente aí o fato de a minha alegria não ser completa. Me perdoe aquele ou aquela que acha que eu deveria estar inteiramente feliz por ter sido vacinado. Não consigo.
Inteiramente feliz só ficarei quando todos forem imunizados. Sei que vai demorar, mas eu aguardo e torço pacientemente. Quando esse dia chegar, vai ser uma emoção tão grande quanto a que senti hoje, por alguns minutos, ao receber a vacina.
A primeira pergunta que os amigos me fazem hoje é sobre qual vacina eu recebi, se AstraZeneca ou Coronavac? Não respondo.
Digo apenas que recebi o imunizante que estava disponível no Posto de Saúde, via SUS. Eu acredito na Saúde Pública e na Ciência.
Só não acredito no (des)governo federal.



   
               

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