Fácil, extremamente fácil

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Fácil, extremamente fácil
Foto meramente ilustrativa - Reprodução Google

Naquele tempo, em minhas aulas na faculdade e na “brincadeira” que as palavras sempre fizeram comigo, mostrava aos alunos, a palavra “RISCOS”, ressaltando que ela nos ensinava a viver, pois como diz o ditado popular, “quem não arrisca não petisca”. Mas, além disso, retirava o “s” do mesmo vocábulo, resultando na palavra “RICOS”.

Assim, sintetizava a ideia, afirmando que se uma pessoa desejasse ficar “rica”, ela precisaria “correr riscos”, mas, para isto, era necessário estar preparado. Enfatizava ainda, o conceito de que a “altura” de uma pessoa é mensurada da testa para cima, ou seja, pelo conhecimento adquirido, alimentando o cérebro e favorecendo as sinapses. Sujeito rico, dizia aos alunos, não é aquele que tem dinheiro, um bem físico, mas quem investe nos bens imateriais, ou seja, na possibilidade de gerar riqueza, através da inteligência, do conhecimento e da capacidade de resolver problemas, este sim, o maior patrimônio.

Verdadeiramente, vivemos a era das facilidades no engodo de chegar à riqueza pulando degraus. De um lado, incentivamos os jovens ao consumismo, na compra, por exemplo, de um i-Phone 17 e de outro, ensinamos que tudo pode ser fácil, não sendo necessário nem trabalhar muito e nem estudar muito. “Aprenda violão em duas aulas e inglês em cinco dias. Seja um youtuber, um influencer, um jogador de futebol”.

Contraditórios, ensinamos aos jovens que o importante é ter qualidade de vida, mas isto só será possível, com a compra do iPhone 17. 

Estamos “empobrecendo” os jovens, sequestrando deles o que constitui nossa maior riqueza: a dignidade gerada pelo suor do trabalho, a dedicação nos estudos, a persistência, o esforço e a autonomia.

Estamos gerando uma sociedade mais fraca, mais dependente de remédios, mais inadimplente, rica em carnês para comprar o iPhone 17 e cada vez mais inadimplente, e a estatística atual comprova o problema: o número de famílias endividadas no Brasil chegou a 79,2% em setembro deste ano (2025), segundo a Confederação Nacional do Comércio.

Verdadeiramente, um país só é verdadeiramente livre quando assegura dignidade à sua gente, proporcionando condições para que o cidadão possa, pelo seu trabalho, seu empenho e dedicação, gerar seu próprio sustento.
Claro, isto não é fácil, nem pra você, nem pra mim, nem pra todo mundo.

 

 

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