Ao longo do tempo, a gente engole sapos, dá a cara a tapa e o braço a torcer, e faz das tripas, coração, buscando se entender com as pessoas.
Enquanto a ficha não cai, ficamos batendo na mesma tecla, fazemos vista grossa, pagamos o pato, dormimos no ponto, demoramos para perceber que existe muito santo de pau oco, amigo da onça, cara de pau, mala sem alça, que tem o rei na barriga e se acha a última bolacha do pacote.
Pessoas que nos valorizam apenas em épocas de vacas gordas e que, de repente, nos deixam ao Deus dará, a ver navios e, ao pé da letra, damos com a cara na porta, sem nada compreender.
Até que um dia, tomamos um banho de água fria e descobrimos que aquela pessoa que colocávamos a mão no fogo, era apenas o cocô do mosquito do cavalo do bandido.
Nesse momento, dá vontade de chutar o balde, rodar a baiana, perder as estribeiras, armar um barraco, chutar o pau da barraca e enfiar o pé na jaca.
Mas daí, mesmo que aos trancos e barrancos, a gente não perde a linha e tira de letra. Arregaçamos as mangas, lavamos a roupa suja, matamos a cobra e mostramos o pau, damos a volta por cima, paramos de chorar as pitangas e, na consciência de que há males que vêm para bens, gritamos a plenos pulmões: Bola pra frente!
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