De nada adiantou, minha mãe, minhas professoras e meus amigos me aconselharem, ao longo de décadas: “Cuidado para não perder o juízo”.
Um dia, sei lá quando, onde, nem o porquê, nem como foi, acabei perdendo.
Para falar a verdade, ninguém nunca me explicou o que é esse tal de juízo, e só estou admitindo a culpa, que nem sequer sei se tenho, para evitar qualquer prejuízo. Do jeito que anda o Xandão, vai que ele resolve levar isso em juízo, eu hein...
Além do mais, tenho que cuidar da minha imagem. Já imaginou alguém na rua, olhar para mim na esquina e comentar com outra pessoa. “Tá vendo aquele cara lá? Ele perdeu o juízo”. O que é que vou dizer lá em casa?
Assim, buscando me resguardar, coloquei até um anúncio no jornal na sessão de achados e perdidos.
“Cidadão de bem, com bons antecedentes, sem nada que o desabone, perdeu o juízo. Solicita a quem encontrou fazer a devolução. Por se tratar de sigilo judicial, gentileza entrar em contato com esse jornal. Gratifica-se”.
Meio indeciso, fui também até ao dentista e ele certificou que eu realmente tive apenas um dente do siso (o do “juízo), mas não tinha mais, ou seja, perdi mesmo.
Estou pensando até em montar um grupo com pessoas que, como eu, perderam o juízo, para que cada um conte e compartilhe a situação, com a presença de uma psicóloga que não tenha perdido o juízo, claro.
Enfim, caso não consiga encontrar o paraíso, digo o juízo perdido, só me resta uma alternativa.
Aguardar o Juízo Final!
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