Chega um tempo, muitas vezes, quando já viramos avô/avó, em que a vida se divide em duas partes apenas, mineiramente falando: o vô e o num vô. Trocar a comodidade, o conforto, o aconchego, o “abraço” da nossa “caverna”, por uma festa, um show, uma cerimônia, enfim, um evento qualquer, se torna cada vez mais difícil. Dirão “você está ficando velho” e talvez até tenham razão, já que a idade nos lega a sabedoria do “déjá-vu”, ou seja, a ideia, que pode ser equivocada, de já ter vivido uma situação que apenas se repetirá. Por vezes, a resposta é afirmativamente negativa para uma pergunta simples. -Vai ter muita gente? - Vai. - Ah, então, num vô!
Excetuando-se momentos imperativos para a nossa presença, como na partida de alguém muito próximo, preferimos encontros “à moda da casa”, usualmente com velhos amigos, para uma pitadinha de prosa em uma mesa com comidinhas e bebidinhas. O “inha” aqui é sintomático, pois, evitamos vivenciar o “ão” atrelado à multidão, falação, badalação, confusão. Tudo o que é muito, nos cheira pouco. Verdadeiramente, a vida se torna minimalista: menos é mais. Menos pessoas, mais alegria verdadeira, mais encontros sinceros, mais profundidade nas relações.
Assim, passadas as festas de final de ano, vem aí a maior festa brasileira, a maior alegria geral, o Carnaval: a Portela, o Salgueiro, a Mangueira, a Vai Vai... Num vô.
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