Os cabelos brancos, os passos já não tão rápidos, a impaciência com o mundo. Essa certeza de ser a amizade o que restou do amor e a melancólica incerteza do que realmente sobrou do que fomos. Esses olhos incrédulos com os políticos e a convicção implacável do descontrole da vida. A descrença nas coisas visíveis e essa vontade desesperada de se agarrar na fé para justificar os nossos erros. As fotos antigas, as músicas antigas, os velhos amigos e a fala sempre repleta de verbos no tempo pretérito. As cicatrizes dos machucados de ontem e o relutar em aceitar as dores do hoje. E essa lembrança de tantas ruas quando a vida era só amanhecer e a evidência de estarmos mais sós, olhando a lua nos convidando para o envelheSer.
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