07/11/2022 às 16h04min - Atualizada em 07/11/2022 às 16h04min

Diabolicamente angelical

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
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Foto: Victor Imesi
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Ao andar por Poços de Caldas, difícil não enxergar o que a janela descortina.
A beleza, das ruas, dos jardins, dos recantos que a natureza criou. A majestade da Thermas, a imponência do Palace Casino, a perfeita sintonia das mãos do homem no monumento do Cristo Redentor com a monumental Serra de São Domingos, escultura do Criador.
Contudo, inevitável é o crescimento. Novos prédios surgem a cada dia, avenidas se ampliam como veias de asfalto a percorrer a cidade. A velocidade dos passos de muitos contrastam com a mansidão dos que se aposentam nos bancos da praça.
É Poços, crescestes muito e os trilhos da Mogiana são hoje linhas amareladas no livro de tua história.
Porém, nessa pororoca entre o passado e o presente é que percebemos surgir uma cidade diferenciada. É pela junção do que é visto como antagônico, a indústria e o turismo, a calma e a pressa, o antigo e o novo, a criança e o idoso, pelas águas que brotam das tuas fontes e do fogo, que no subterrâneo, aquece tuas águas, que te tornastes assim, democraticamente divina.
Abre teus braços e hospitaleiramente acolhe os que buscam apenas a tranquilidade nos finais de semana.
Tu és bucólica e artesanal.
Agasalhas também os que apostam aqui suas fichas no futuro, quer nas universidades que se proliferam em teu solo, quer pelas empresas que se instalam em teus bairros.
Tu és desenvolvimento e modernidade.
Tens a sabedoria, em um país polarizado, que os opostos não se dividem. Eles se somam se complementam, se integram como o sol e a lua, o dia e a noite, a rosa, símbolo da tua beleza e os espinhos, representação dos teus desafios.
Tens a beleza da menina e a maturidade da mulher.
És o coreto na praça, as danças de rua
O comércio latente, a natureza nua
És a calma e a pressa, o silêncio e o som
Rua Assis Figueiredo, Rua Padre Henry Mothon
És o bem e o mal, a pimenta e o sal,
Poços, tu és, por assim dizer, diabolicamente angelical.
 
 



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