31/10/2022 às 15h35min - Atualizada em 31/10/2022 às 15h35min

Política, futebol e religião

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
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Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google
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Infelizmente, ouço ainda, pessoas de diferentes classes sociais afirmarem que “política, futebol e religião não se discutem”.
Há dois equívocos na afirmação: primeiro é a distorção da palavra “discutir”, geralmente associada a violência, agressão e desrespeito, quando deveria ser entendida como diálogo, conversa, um papo sobre o assunto.
O outro equívoco mais grave é que se coloca o trinômio “política, futebol e religião” como se fossem do mesmo balaio, da mesma gaveta, quando verdadeiramente não se misturam.
Se sou santista e o outro é palmeirense, a vitória de um time ou de outro não muda a vida de ninguém no dia seguinte. Religião segue a mesma premissa. A política não é assim. Ela interfere, mesmo que em graus diferentes, na vida de cada cidadão.

Costumo refletir ainda que muitos se esquecem que política tem relação direta com a economia. Assim, muitas decisões tomadas pelos nossos representantes têm como resultado o agravamento de uma crise financeira, o desemprego, a carestia, a inflação. O mesmo ocorre em nossas vidas particulares. Nossas decisões “políticas” como comprar um carro, mudar de emprego ou cidade, entre muitas outras, têm impacto positivo ou negativo em nossas finanças pessoais. Quantas famílias conhecemos que eram muito “bem de vida” e depois de algumas decisões “políticas” perderam tudo o que tinham.

Precisamos entender também que a globalização fortaleceu ainda mais a interdependência entre os países. Assim, a pandemia, a guerra na Ucrânia, entre outros acontecimentos, impactam diretamente a vida dos brasileiros. Vivemos em uma “aldeia” e as nossas importações e exportações estão condicionadas a uma série de fatores mundiais e os resultados da balança comercial afeta a todos, indistintamente.

Assim, independente do resultado das eleições, precisamos continuar a discutir políticas públicas (e não políticos) e acompanhar as decisões tomadas pelos gestores e legisladores nos âmbitos municipal, estadual e federal.
Quem se cala, se omite, ou se desilude e larga o bastão, irá apenas deixar as decisões para os outros e essa apatia cívica somente contribuirá para que outros decidam pela gente, pois o nosso silêncio é lido como consentimento.

Continuemos, pois, a discutir política, religião e futebol, na consciência de que na soma dos polos produzimos melhores resultados e os nossos sonhos e a esperança de um país melhor se constroem diariamente por nossa dor civil e participação direta em nosso destino.






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