12/08/2022 às 16h08min - Atualizada em 12/08/2022 às 16h08min

Monsenhor Carlos Henrique Netto - um homem à frente do seu tempo

Fotos: Arquivo/Reprodução
O tempo passa, e quem não está atento nem percebe que ele leva embora sonhos e oportunidades que não voltam mais. A experiência nos mostra que é necessário forçar a imaginação, cobrar de nossa memória, remexer gavetas esquecidas e empoeiradas em busca de lembranças que nos possam trazer alegrias. Mas muitas vezes nos despertam tristezas. E quando elas vêm à tona, sentimo-nos ora felizes, ora não.
 
E nesse momento, vem-me com uma boa dose de felicidade a memória de um homem que nos deixou há 20 anos e que certamente mudou minha vida: Monsenhor Carlos Henrique Neto. O homem que induziu-me a imitá-lo, embora minimamente, num trabalho que sempre procurei fazer, em busca de soluções para o bem-estar do menor desassistido.
 
Com esse Homem, com H maiúsculo, dediquei parte de minha vida lecionando em sua modelar Escola Profissional Dom Bosco. Por várias vezes confesso que fracassei, querendo retirar-me de minhas funções como professor. Mas ele tinha o poder de persuasão. E conseguiu manter-me a seu lado, por quase três décadas. E não me arrependo. Já cheguei a afirmar numa de minhas dissertações pós falecimento de minha esposa Lurdinha, que Padre Carlos foi o paradigma da formação de minha personalidade e de minhas concepções religiosas, incorporando o Deus ideal, de carne e osso, que passei a acreditar.
 
Ainda jovem, Carlos Henrique Netto iniciou sua grande obra numa pequena casa nas proximidades das ruas Santa Catarina e XV de Novembro, e ali arregimentou as crianças carentes com o intuito de ensinar-lhes, além do estudo regular, habilidades manuais que futuramente poderiam se tornar uma profissão.


Carismático e influente em nossa sociedade, anos mais tarde inaugurava, ao lado de Maria Aparecida Figueiredo, sua grande colaboradora, um grande complexo escolar num dos bairros mais importantes de nossa cidade.
 
Amigos e professores edificaram anos depois, o Memorial Padre Carlos, com a finalidade de preservar documentos e objetos escolares, fundamentais da história da escola e do pensamento educacional brasileiro. Fiel à pedagogia pregada por Dom Bosco, valorizando o Homem dentro da visão integral, a Escola é atualmente dirigida por Maria José Barbosa, e atende mais de 1.500 alunos de Poços de Caldas.
 
RELIGIÃO E FILANTROPIA - Carlos Henrique Neto nasceu em Poços de Caldas no dia 10 de outubro de 1914. Segundo filho do casal Cláudio Henrique e Brandina Borges Henrique, desde a infância já manifestava sentimentos religiosos. Foi coroinha do venerável Padre Henry Mothon e aos 12 anos solicitou seu ingresso no Seminário de Guaxupé, finalizando seu curso no Seminário de Belo Horizonte. Sem idade suficiente para ser ordenado, ficou aguardando em Guaxupé a data de ordenação sacerdotal.

Em 1937, por licença especial da Santa Sé, recebeu o diaconato em Monte Santo de Minas, e em abril do mesmo ano, ainda por licença especial, foi ordenado Sacerdote em Poços de Caldas, na antiga Matriz, pouco antes de e igreja ser demolida.

Padre Carlos contribuiu ativamente em várias obras sociais de Poços: foi presidente do Serviços de Obras Sociais - S.O.S e fundador e presidente da Fundação de Assistência ao Menor - FAM. Exerceu a função de capelão do Asilo São Vicente e da Santa Casa de Misericórdia, onde teve contato com meninos de ruas que ali recebiam instruções religiosas. Daí surgiu o Clube Recreativo Anjos da Cara Suja - CRACS, atual Escola Profissional Dom Bosco.

Por sua dedicação às obras sociais, recebeu de nossa cidade a medalha de Ouro de Honra ao Mérito e foi escolhido por voto popular como uma das Personalidades do Século em 2000, iniciativa do Jornal Brand-News. Em 1997, recebeu a Medalha da Inconfidência, maior honraria do estado de Minas, entregue àqueles que de maneira excepcional tenham contribuído para o prestígio e a projeção do estado e do país.
 
Fonte: O meu livro dos outros - Pe. Carlos Henrique Neto

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