21/03/2022 às 15h35min - Atualizada em 21/03/2022 às 15h35min

Apocalipse

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
Figura meramente ilustrativa – Reprodução Google
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Acreditávamos que o nosso principal problema era a falta do combustível para alimentar nossos carros, ônibus motos, aviões, foguetes, barcos e locomotivas.
Como nos locomover mais rápidos e acelerar o nosso desenvolvimento se nos faltassem a gasolina, o óleo diesel, o carvão, o etanol, a bateria?
Como manter o nosso PIB, nosso consumo, nosso superávit, nossas super ofertas, nossos supermercados, nossos superfaturamentos? Precisávamos crescer cada vez mais e o progresso da humanidade era o motor da existência humana.
Alertaram-nos sobre os danos ambientais. O desmatamento, a poluição, o uso irracional dos recursos naturais.
Assunto para ecochatos e biodesagradáveis.
Afinal, os rios ainda tinham peixes, as cascatas encantavam nossos olhos, torneiras abertas jorravam o liquido da vida, a chuva caia ainda enquanto dançávamos ao som das quatro estações de Vivaldi.
As cidades foram crescendo e a tecnologia assumindo o poder.
A população aumentando. Fazendas substituídas por indústrias. O desmatamento se alastrando. O ar se tornando sólido. O lixo acumulando-se nas ruas das grandes metrópoles. O calor insuportável e a seca se espalhando. As mudanças climáticas se globalizando. O mar virando sertão e o Planeta Água se tornando terra batida, esturricada, enrugada pelo sol escaldante.
Alertaram-nos novamente sobre os danos ambientais.
Era preciso economizar água, plantar árvores, reduzir a emissão de dióxido de carbono, caçar menos, pescar menos, consumir menos, destruir menos.
Assunto para ambientalistas e cientistas alarmistas.
Afinal, vencíamos o calor com ventiladores, umedecedores, ar condicionado em nossos carros e shopping centers.
Poços artesianos buscavam água nas profundezas.
E na impossibilidade de viver nas insustentáveis metrópoles invadimos as pequenas cidades em busca de água, de oxigênio, de árvores, de sombra e de luz, de qualidade de vida.
Construímos ali grandes condomínios fechados e os altos muros com cercas elétricas e câmeras nos saciavam a certeza da sobrevivência.
No conforto das nossas salas de estar e nos quartos de nossos filhos, celulares, laptops e tablets compartilhavam imagens de supermercados saqueados na briga por um litro de água.
As megalópoles tornaram-se desérticas, verdadeiras “ilhas de Páscoa” a exibirem suas estátuas de arranha-céus.
Pequenas cidades receberam o êxodo urbano que acabaram por destruírem parques e praças, flores e fontes.
A sede se tornou pandemia e a água, nossa principal moeda.
O sol se tornou imensa bola de fogo a derreter o asfalto das nossas ruas.
Populações inteiras foram dizimadas.
Nenhuma gota d água.
Nenhum novo batismo.
Afinal, já não era mais necessário.
Chegava enfim o tempo de um novo céu e uma nova Terra.
"Imediatamente após a tribulação daqueles dias, o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes celestes serão abalados" (Mateus 24:29)




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