24/01/2022 às 15h32min - Atualizada em 24/01/2022 às 15h32min

Vulcão adormecido

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
C
O boato se alastrou
Como fogo de morro acima
Não se sabe quem falou
Mas, virou prosa de esquina

Dizem que foi um pastor
Um homem de religião
Que num pesadelo de horror
Anunciou a premonição

O vulcão adormecido
Deitado em um cobertor
Acordaria estremecido
E espalharia o terror

Seria no mês de Maria
Mês das mães, Nossa Senhora!
Que o vulcão explodiria
Jogando as lavas pra fora

A cidade de real nobreza
Das águas quentes do chão
Soube que, das profundezas
Viria grande maldição

Dos céus surgiram os caças
Era um aviso, triste certeza
Só restaria cinza e fumaça
Da terra da saúde e beleza

Daí, viu-se muito marmanjão
Com cara de arrependido
Gente pedindo perdão
Pelos pecados cometidos

Era gente por todo o lado
Abriu-se a caixa de Pandora
Era culto e o mal letrado
Era sogra abraçando nora

Mas o tempo foi passando
E nada enfim, aconteceu
Um novo dia foi chegando
E o amanhã...amanheceu

Foi um alívio muito grande
A vida voltava ao normal
Não existia o inferno de Dante
Nada daquilo era real

O dia-a-dia foi seguindo
Com a multidão de novo apressada
O vulcão continuou dormindo
Tudo não passou de uma piada

Contudo, o pastor continua a insistir
Que o vulcão vai explodir como outrora
Pois o que está tanto tempo a dormir
Pode acordar a qualquer hora.



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