08/11/2021 às 14h30min - Atualizada em 08/11/2021 às 14h30min

Simplesmente Poços de Caldas

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.br
FOTO: Vitor Imesi
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Sabe, um dia eu ouvi, não sei se foi na escola ou, quem sabe, foi de um anjo, que era preciso amar. Amar não só os seres, as coisas, a vida, mas, principalmente, o lugar onde eu morava. E, se fosse necessário, antes do nascer do sol, que eu chorasse um pouco, não de tristeza, mas, para que na emoção das lágrimas que brotassem dos meus olhos, eu enxergasse com a alma.
E hoje, não sei o porquê, um turista (quem sabe um anjo?), me disse quase que exatamente a mesma coisa. Que eu precisava amar Poços de Caldas, que a cidade era linda...nossas matas, as águas, as flores - essas coisas que a gente vive escutando, mas não ouve, vive olhando, mas não vê.
 
Bem, logo que a pessoa foi embora, eu, sentado ali num banco na praça, nem sei a razão, comecei lentamente a me emocionar e dos meus olhos saltaram as lágrimas e, naquele momento, eu vi, não eu não vi, eu senti. Senti as montanhas da Serra de São Domingos, como se fossem dois braços a amparar e acolher, como Cristo, a cidade que se estendia aos pés da mata.
E pude ver, então, as tuas ruas, Poços. Pude senti-las largas, aconchegantes, ruas que na verdade são avenidas, avenidas que são estradas, asfaltadas sim, mas que trazem a natureza em cada esquina, a amizade e a hospitalidade das pessoas que nelas circulam.
Pude sentir também, a convivência pacífica e harmônica, de cumplicidade até, entre os prédios, os edifícios, com as casas antigas, o Palace Casino, a Thermas... o passado e o futuro de mãos dadas.
O futuro chegando imponente com o teu desenvolvimento. O futuro nos olhares de quem pouco te conhece, mas muito espera de ti. E o passado presente no coreto, nos monumentos, nos olhares de muitos que já te conhecem tanto, que muito deram e receberam de ti.
 
Depois de percorrer o centro, fui ver teus bairros.
Nossa! Quantos bairros novos, casas, escolas, quanta vida pulsando. E as pessoas? Poxa! Penso que não conheço mais ninguém. Eu não sabia que tinhas crescido tanto e que o número de teus filhos era bem maior que eu pensava.
E foi exatamente num bairro que eu vi - no sorriso de uma criança - a beleza dos teus recantos turísticos, sentimentos presentes do cotidiano. O equilíbrio na Pedra Balão, a serenidade na Saturnino de Brito e no Bortolan, o amor e a união no Véu das Noivas e na Fonte dos Amores.
 
Percorri todos os teus cantos, todos os teus caminhos, Poços. Vi fábricas ao lado de rosas, pressa ao lado da paz, te redescobri presença íntima em meu ser.
E foi neste reencontro, que comecei a refletir sobre o teu futuro e de teus filhos - meus irmãos.
Senti então, que existem pessoas que habitam o teu corpo, Poços, mas ainda não têm um teto para morar. Existem pessoas que notem o teu desenvolvimento, mas que estão ainda na fila de espera - presenças ausentes no mercado de trabalho. Senti que muito mais que serem expostas nas estatísticas, como peças soltas da tua engrenagem, elas precisam contar com a sensibilidade das ações, para viverem de maneira digna e ter na qualidade de vida, não um privilégio, mas um direito assegurado.
 
Senti que o amor por ti, Poços, não é bandeira minha, nem de ninguém. O amor por ti estará sempre presente nas mãos de quem luta para te tornar mais igualitária e desenvolvida, quem luta pelo teu crescimento e tua maturidade social.
E foi então, Poços, que minhas lágrimas se estancaram e percebi que os meus olhos eram os mesmos, mas o melhor olhar não.
Ergui o meu rosto ao céu, agradeci e segui pela praça. No caminho, um rapaz estava sentado em um banco. Eu olhei para ele e disse:
- Veja como Poços é linda. O verde, as flores, as águas... Ele limitou-se a sorrir e depois, de seus olhos, lágrimas caíram.
 
 
 
 

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