01/11/2021 às 15h08min - Atualizada em 01/11/2021 às 15h08min

As mil e uma mortes

Jornalista, publicitário, escritor e professor universitário
wiliam.oliveira@uol.com.b
Figura meramente ilustrativa - Reprodução Google

A gente, pra nascer, só existe um jeito,
Mas pra morrer, meu irmão, não existe preceito
Morre-se de câncer ou então, de canseira
Morre-se com ciência, ou então, de bobeira
Morre-se queimado e também afogado
Assim e assado, assaltado, assassinado
E de um vírus letal que não foi convidado
Morre-se esquisito na esquistossomose
Morre-se lépido na leptospirose
Morre-se pela bolinha, ou pela Ébola
De sarampo, varíola e também catapora
Morre-se no carro, no mar e na moto
Na terra e no ar, furacão, maremoto
Magro ou gordo, não importa a caloria
Enterra-se com AIDS e com disenteria
Meningite, diverticulite e até apendicite
Morre-se assim, ali e aqui, lá em New York City
Morre-se pelo tóxico, ou pela toxoplasmose
Morre-se de anemia e também de overdose
Morre-se de infecção hospitalar, a septicemia
De enfisema pulmonar em pleno ar do dia
Ninguém sabe o dia ou a hora exata
É um dengoso mosquito que pica e que mata
Morre-se do coração que parou de repente
Ou no ataque de um cão que parecia inocente
Morre-se ao nascer ou pelo muito viver
Morre-se de rir, ou de tanto sofrer
Morre-se de amor, diz o romântico poeta
Morre-se no ódio da religião do profeta
Enfim, a gente morre por tudo, com tudo, ou por nada
De doença fatal, ou por uma unha encravada
Mas não se descobrindo a causa quando a morte convida
- Morreu de quê?
- Ah! Morreu de morte morrida.
 
 




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