Está tudo normal. As queimadas vieram, como em todos os anos e, em todo o Brasil, a violência de sempre é manchete na primeira página do jornal. Está tudo normal. Os pedintes continuam pelas ruas das cidades, o tráfico de drogas em ritmo crescente e a corrupção fatiada em cotas no governo federal. Está tudo normal. O trânsito cada vez mais intransitável, o aumento contínuo no preço dos combustíveis e os insultos se multiplicando na rede social. Está tudo normal. A luta das pessoas pelo dinheiro e poder, a desonestidade como pandemia sem vacina e a venda de corpos no mercado sexual. Está tudo normal. A desvalorização imutável dos professores no país, a carnavalização irrevogável da política e a superioridade suprema do Supremo Tribunal. Está tudo normal. A doença da ganância invadindo a saúde, a imprensa vendendo a opinião e a educação nossa de cada dia sendo coisa banal. Está tudo normal. O estupro, o desemprego, a fome, o fosso social... ninguém mais se importa, afinal... Está tudo normal.
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