10/03/2023 às 16h04min - Atualizada em 10/03/2023 às 16h04min

Oscar 2023: Confira a crítica especializada trazida pelo Cine Marquise Ultravisão

FONTE: Renata Vomero - FOTOS: Reprodução Google
Cena do filme Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo: longa conseguiu unir a aprovação da crítica, do mercado e do público
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Líder em indicações e consagrado na temporada, “Tudo em Todo o Lugar ao mesmo Tempo” desponta como favorito ao Oscar
 
A cerimônia de entrega das estatuetas acontecerá no próximo domingo, 12 de março. Pensando nisso, o Cine Marquise Ultravisão foi atrás de quem entende do assunto para trazer aos cinéfilos de plantão, algumas reflexões sobre a premiação. Renata Vomero, editora do Portal Exibidor, veículo especializado no mercado de cinema, preparou com muito carinho, o texto a seguir. Lembrando que dos filmes concorrentes, A Baleia segue em cartaz em Poços de Caldas, com sessão diária às 21h. Façam suas apostas e boa leitura! 
 
A poucos dias da 95ª edição do Oscar, é a hora do público e os fãs de cinema fecharem seus bolões com suas apostas entre quem serão os favoritos deste ano. E com uma pista aqui e acolá, não está sendo difícil apontar alguns nomes que são quase dados como certos para receber a estatueta. 
 
Entre eles, é impossível não falar sobre Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, dirigido por Daniel Kwan e Daniel Scheinert, ou Os Daniels, como são chamados. O filme une uma trama frenética que envolve multiverso, mas tem por trás uma história que passa por uma reflexão existencial, além de retratar com realismo e sensibilidade as nuances das relações entre mães e filhas. 
Fora suas qualidades técnicas e artísticas, o longa - da produtora queridinha do momento, a A24 - conseguiu unir a aprovação da crítica, do mercado e do público, algo raro na indústria e que tem beneficiado sua carreira comercial. O filme soma 11 indicações ao Oscar, incluindo as categorias principais, como Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz (Michelle Yeoh), Melhor Atriz Coadjuvente (Jamie Lee Curtis e Stephanie Hsu), Melhor Ator Coadjuvante (Ke Huy Quan) e Melhor Roteiro Original. Inclusive, há grandes chances de levar a melhor na maior parte deles, tanto pelo número de indicações, quanto pelo que tem se desenhado nas premiações que já aconteceram neste ano, em especial as dos sindicatos de atores, diretores, produtores e roteiristas. 
 

Se há alguma possibilidade de acontecer uma zebra e outro título ganhar em Melhor Filme, o candidato para tal pode ser Nada de Novo no Front (foto), filme alemão da Netflix e que vem somando uma série de indicações e prêmios. Além disso, ele é o único longa estrangeiro que aparece na lista de Melhor Filme, uma tentativa constante do Oscar de diversificar as produções nomeadas. Os Fabelmans, Banshees de Inisherin e Top Gun: Maverick também podem trazer surpresas neste ano. Aliás, há quem diga que Steven Spielberg, diretor de Os Fabelmans, pode conseguir sua estatueta pela direção do filme. Indicado nove vezes por Melhor Diretor ao longo de sua carreira, essa pode ser sua primeira vitória desde 1998.
 
Com este apanhado geral sobre a edição, vale destacar o que o Oscar representa neste ano. Com suas diversas tentativas de trazer diversidade e também de popularizar a cerimônia (que vem perdendo público ano a ano), desta vez vemos uma lista com títulos mais comerciais, entre eles os blockbusters Top Gun: Maverick e Avatar: O Caminho da Água, também o próprio Elvis. Com tantos títulos diferentes, a lista não deixa de amarrar os filmes em narrativas que falam, cada um à sua maneira, sobre relacionamentos, destacando aí maternidade, paternidade, relações amorosas, fraternais e até políticas. 
 
Acima de tudo, esses filmes também representam uma celebração da retomada e gradual recuperação da indústria, combalida nos anos da pandemia, o que também se refletiu na maior premiação do cinema. As edições anteriores contaram com ainda maior espaço para os títulos do streaming, desta vez quem quer fazer a tradicional maratona do Oscar, possivelmente precisar ir ao cinema para tal.  
 
E falando em volta por cima, essa é uma temática que se faz presente também na fala de alguns dos favoritos deste ano. Aposta certa como Melhor Ator, Brendan Fraser (foto) entregou um trabalho fenomenal em A Baleia, de Darren Aronofsky. O ator viu seu auge em Hollywood nos anos 1990, sendo o astro de grandes blockbusters da época, como A Múmia, mas acabou sendo deixado de lado pela indústria nas últimas décadas. É comovente sua emoção nesta temporada -  em que ele foi amplamente consagrado - e visível o quanto deu tudo de si nessa oportunidade de fazer este retorno aos cinemas. Para quem está de olho na zebra, Austin Butler, que interpretou Elvis no filme de Baz Luhrmann, pode ser o nome a tirar a estatueta de Fraser.
 
De forma semelhante se dá a trajetória de outro favorito, desta vez em Melhor Ator Coadjuvante.  Ke Huy Quan é fundamental em Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo e sua participação no filme se deu após ele já ter há algum tempo desistido da atuação mesmo sendo um astro mirim de sucesso, trabalhando em filmes da saga Indiana Jones e Os Goonies.
A volta por cima, com integral reconhecimento nas premiações, também tem sido celebrada de forma emotiva em seus discursos. 
 
Michelle Yeoh, protagonista de Tudo em Todo o Lugar, também está em um lugar parecido. Com 40 anos de trabalho e reconhecimento, esta é a sua primeira indicação ao Oscar e é a primeira vez em que uma mulher asiática é nomeada na categoria de Melhor Atriz, tudo isso aumenta seu favoritismo. No entanto, diferente dos atores aqui citados, ela compartilha essa possibilidade de vitória com Cate Blanchett, protagonista do espetacular Tár, de Todd Field. Para muitos sua atuação é apontada como a melhor performance de sua carreira, já consagrada, entre diversas indicações, Blanchett venceu o Oscar duas vezes. 
 
Em atriz coadjuvante, a temporada de premiações vem reconhecendo o trabalho de Angela Bassett em Pantera Negra: Wakanda Para Sempre, ainda assim outros nomes podem acirrar essa disputa na categoria que definitivamente é a mais indefinida até o momento, são elas Jamie Lee Curtis (Tudo em Todo o Lugar), Hong Chau (A Baleia) e Kerry Condon (Banshees de Inisherin).
 
Em outras categorias, vale o destaque para Pinóquio, de Guillermo del Toro. A animação foi feita totalmente no estilo Stop Motion e faz uma releitura potente e comovente da clássica história do boneco de madeira. Essa pode ser a primeira vez que a Netflix ganhe nesta categoria, outra categoria que parece certa para a plataforma é de Melhor Filme Internacional, em que Nada de Novo no Front é o favorito para levar a estatueta, embora o belga Close mereça aqui uma menção especial também. 
 
Para quem quiser assistir à cerimônia, que acontecerá em 12 de março, pode haver uma certa dificuldade. O Oscar será exibido apenas no streaming HBO Max e no canal de TV paga TNT. A Globo anunciou que não exibirá o evento ao vivo, nem ao menos no Globoplay (como fez ano passado). Este pode ser um sintoma que a própria organização do evento vem sinalizado, de uma queda constante na audiência, o que tem gerado diversas mudanças edição após edição para reconquistar o público, entre elas, como dito acima, a inclusão de filmes mais comerciais, a diminuição do tempo de duração e até mudanças e cortes em categorias. 
 
Em sua 95ª edição, a cerimônia do Oscar tem previsão para começar em torno das 20h (horário de Brasília) com o tapete vermelho. O apresentador será o comediante Jimmy Kimmel

 
Por Renata Vomero - Editora do Portal Exibidor, veículo especializado no mercado de cinema

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