07/11/2022 às 16h01min - Atualizada em 07/11/2022 às 16h01min

A curiosidade dos meninos da rua Piauí

Por Odair Camillo
Odair e Darcio Camillo com o pai, Pedro Camillo, na oficina da família
Quando a nossa turma que morava na rua Piauí, próximo ao Hospital da Santa Casa, atingiu a idade entre os 12/14 anos, nós já procurávamos outros brinquedos, próprios de nossa idade. De vez em quando nos reuníamos e decidíamos “ver” o que acontecia na rua Rio Grande do Sul, especificamente no lugar chamado “Buraco Quente”, onde funcionava uma casa de prostitutas conhecida como “390”.
A casa, de construção simples, cuja parte frontal exibia três janelas e uma porta de entrada, ficava localizada numa parte baixa da rua, onde se podia apreciar o seu interior de um morrinho sem que fôssemos descobertos pelas moradoras.
 
Lembro-me que a primeira vez que eu, meu irmão e mais dois amigos fomos até lá, já estava anoitecendo, e pudemos presenciar duas garotas, completamente despidas, caminhando de um lado para outro da sala.
Para nós, neófitos, foi o máximo que poderíamos almejar.
 
E o mais interessante aconteceu naquela noite, quando eu e meu irmão retornamos para casa. Ambos, uníssonos, dissemos aos nossos pais: “Paiê, mãe, vocês não acreditam o que vimos hoje numa casa da rua Rio Grande do Sul. Nós vimos duas moças peladas, andando pela sala da casa!”
Boquiabertos com essa notícia, eles foram contundentes: “Pelo amor de Deus, meus filhos. Nunca mais façam isso. É pecado mortal!”.
 
Porém, a curiosidade permaneceu. E escondidos, voltamos até lá por mais vezes...
 
Do livro autobiográfico em preparação “O menino de Paranapiacaba” 

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