02/06/2022 às 16h07min - Atualizada em 02/06/2022 às 16h07min

Na Coreia, a carne de cachorro faz parte da gastronomia. Confesso que comi, e gostei!

Por Odair Camillo - Jornalista
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Quando a VASP inaugurou o voo entre São Paulo e Seul, na Coreia, numa gigantesca aeronave MD-11, um grupo de dez jornalistas, do qual eu fazia parte, foi convidado a conhecer a bela capital asiática. Uma longa viagem, realizada em duas etapas: Los Angeles e depois Seul.
 
Dia seguinte de nossa chegada, participamos de um almoço típico num dos restaurantes mais famosos da cidade. Ele ficava no alto de uma pequena colina, de onde se avistava o moderno centro econômico e financeiro da cidade. Quando lá chegamos, a mesa, quase rente ao chão, já estava preparada.
 
Dessa forma, tínhamos que nos assentar sobre uma almofada e enfiar as pernas sob a mesa. Os primeiros minutos foram normais, mas, depois de algum tempo, sem que pudéssemos encostar, aquela posição ficou insuportável, e decidimos pedir ao nosso guia a possibilidade de passarmos para uma mesa normal. E foi o que aconteceu.
 
Numa sala anexa havia uma na altura que estamos acostumados, só que sobre o tampo, a cada 80 cm de distância, havia um buraco de aproximadamente 35 cm de circunferência. Esse buraco chamou a atenção e aguçou a curiosidade dos jornalistas. Para que serviria? pensamos. A resposta veio logo em seguida, quando os garçons começaram a colocar dentro deles um cone cheio de carvão em brasa que se encaixava perfeitamente no buraco.
 
Logo em seguida, outro garçom colocou sobre eles uma grelha de forma convexa, certamente onde seria colocada uma carne para grelhar. E foi o que aconteceu. Em poucos minutos, a carne, cortada em tiras, era assada e uma fumaça gostosa desprendia dela, aguçando nossa vontade de digeri-la.
 
Outros pratos também foram servidos, como o kimchi, uma mistura de repolho, acelgas e nabos, além de, naturalmente, o nosso conhecido arroz.
 
De volta ao hotel, indagamos ao guia que tipo de carne fora servido no restaurante, tão saborosa e macia e se, de certa forma, nós voltaríamos lá para saboreá-la mais uma vez. E ele, calmamente respondeu: “Vocês comeram carne de cachorro, uma das especiarias de nosso país. Vocês querem voltar lá, amanhã?”
 
No mesmo instante, o grupo se dispersou. Uns se dirigindo apressadamente para seus quartos, outros procurando saber onde ficava o toalete. Para mim, nada aconteceu. Também, pudera. Eu já havia experimentado em viagens pelo mundo, pratos típicos da Tailândia, pato laqueado e Zong Zi na China, canguru na Austrália, e até formiga, não me lembro onde.
 
1985

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