16/03/2022 às 15h47min - Atualizada em 16/03/2022 às 15h47min

Estilos de Cervejas Brasileiras (Escola Cervejeira Brasileira)

Jean Benetti - Sommelier de Cervejas
jean.benetti@bol.com.br
Catharina Sour
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Na 1ª coluna de dezembro falamos sobre as Escolas Cervejeiras, que dividem os estilos de cerveja em 4 grandes grupos, seguindo as tradições das regiões geográficas onde surgiram.  Nas colunas passadas falamos sobre as Escolas Inglesa, Belga, Alemã e Norte-americana, e agora chegou a vez da Escola Cervejeira Brasileira.
Bem, essa Escola Cervejeira, na realidade, não existe enquanto “Escola”, propriamente. No entanto, se existisse (ou quando existir, o que acredito que deverá acontecer em um futuro muito próximo), seria mais ou menos assim:
 
A história da cerveja no Brasil remete a 1640, quando Maurício de Nassau instalou uma cervejaria no Recife sob comando do mestre cervejeiro Dirck Dicx. Com a expulsão dos holandeses, em 1654, a cerveja sumiu por mais de 150 anos e só ressurgiu em 1808, com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil. Então, a cerveja passou a ser produzida em pequena escala, por alguns poucos cervejeiros, que foram se firmando e, a partir de 1836, criando micro cervejarias nas regiões Sul e Sudeste. A primeira cervejaria a atingir escala industrial, no Brasil, foi a Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, de Henrique Kremer, que em 1898 passou a se chamar Cervejaria Bohemia.
No início do Século XX, muitas cervejarias se instalaram por aqui, animadas com a nascente sociedade burguesa, com o início da industrialização e com o grande número de imigrantes europeus. Porém, com o advento das duas Grandes Guerras, a escassez de matéria-prima importada, principalmente o lúpulo, impactou sobremaneira a produção de cerveja, que voltou a ser um produto bastante escasso no país.
A partir da década de 80, porém, a cultura cervejeira no Brasil volta a ser impulsionada pela valorização da cultura cervejeira no mundo e, principalmente, nos Estados Unidos, mas ainda é uma cerveja produzida em larga escala e baixa qualidade. A grande virada da cerveja artesanal - de maior qualidade - se inicia com a inauguração da Dado Bier em Porto Alegre, em 1995, que serviu de inspiração, ainda nos anos 90, para que fossem instaladas as cervejarias Colorado, em Ribeirão Preto; Borck, em SC; Krug Bier e Backer, em Belo Horizonte; e a Baden Baden, em Campos do Jordão. Aqui em Poços de Caldas, a “novidade” chegou no ano 2000, pelas mãos do cervejeiro Cezar, da Cervejaria Montana.
 
 
Hoje em dia, os principais estilos de uma provável Escola Brasileira seriam os seguintes:
 

Brazilian Corn Beer: estilo lager com alta adição de milho, baseada no estilo american lager, porém com ainda mais do cereal não maltado. Tem que ser bebida extremamente gelada para mascarar os defeitos do aroma e do sabor.
Malzbier: estilo que leva o nome de um tônico alemão à base de malte, porém virou estilo brasileiro de cerveja. É uma lager escura como as International Dark Lager, porém com grande adição de caramelo de milho, o que transfere um alto dulçor à bebida e coloração escura.
Brazilian Grape Lager: também conhecido como Chope de Vinho. Apesar do nome, são raras as receitas que adicionam o vinho em sua fórmula. Essa é uma cerveja lager que, geralmente, recebe a adição de suco de uva ou suco de uva com maçã, ou, em alguns casos, açúcar de cana.
Brazilian Cream Ale: baseada no estilo americano Cream Ale, que é bem leve e com adição de arroz ou milho. Na versão “Tupiniquim”, no entanto, os cervejeiros brasileiros “pesam” a mão no lúpulo, deixando a cerveja com amargor bastante pronunciado.
Brazilian Wheat Beer: versão brasileira da cerveja de trigo que mais se aproxima do estilo americano American Wheat Beer - mas, assim como o estilo anterior, possui mais amargor que a versão americana.
Brazilian Sweet Stout: estilo brasileiro criado a partir do estilo inglês Sweet Stout. A diferença é que, na versão brasileira, usam adjuntos (como o milho) e uma quantidade bem maior de açúcar.
Brazilian Saison / Brazilian Farm House Ale: baseada no estilo belga Saison, porém com mais acidez e, muitas vezes, maturada em barris de madeira nacional e com adição de frutas.
Catharina Sour: é o único dos estilos listados que atualmente é reconhecido como um estilo brasileiro. Foi desenvolvida por cervejeiros catarinenses, por isso o nome. Cerveja ácida com adição de fruta fresca e muito refrescante.
Imperial Sour: não demorará para ser catalogado como outro estilo brasileiro, é a versão mais alcoólica da Catharina Sour, passando dos 7,5% abv (muitas vezes chegando aos 11%), também pode ser chamado de Triple Sour quando acima dos 10%.
Brasilian Gose: o estilo alemão chamado de Gose é ácido e salgado, leva água, malte, lúpulo, levedura e sal marinho. As versões brasileiras fazem uma mistura de Gose com Catharina Sour, colocando muitas vezes pimenta, pepino, tomate, e outras brasilidades.
Wild Brazilian Grape Ale: produzida a partir de uma base fixa de Saison sobre a qual são adicionadas de 30 a 50% de algum tipo de uva (estilos variados) no mosto cervejeiro. O cervejeiro Cristiano Pintado, de Bertioga, criou este estilo inspirado pelo estilo recém catalogado “Italian Grape Ale”.
Brazilian Juicy IPA: uma NEIPA brasileira que possui adição das mais diversas e refrescantes frutas de nossa flora, adicionadas frescas, sem cozimento.
 
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